A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Não? Vai me dizer que não…
— Não? Vai me dizer que não está viciado na torre?
Roland não disse nada.
— Quem vai atravessar alguma porta mágica para salvar você, cara?
Sabe quem? Eu vou. Ninguém mais. Você escolheu todos que pôde escolher. E a única coisa que pode escolher agora é a porra do revólver
que vai usar, porque parece que foi a única coisa que sobrou para você. Exatamente como Balazar.
Roland não disse nada.
— Quer saber qual era a única coisa que meu irmão tinha para me
ensinar? — As lágrimas deixavam a voz de Eddie pastosa e irregular.
— Quero — disse o pistoleiro. Ele se inclinou para a frente, os olhos
colados atentamente nos de Eddie.
— Ele me ensinou que quem mata o que ama fica para sempre
condenado.
— Já estou condenado — disse Roland calmamente. — Mas talvez
até o condenado possa ser salvo.
— Quer mesmo provocar a morte de todos nós?
Roland não disse nada.
Eddie agarrou os farrapos da camisa de Roland.
— Quer mesmo provocar a morte dela? — Todos nós vamos morrer um dia — disse o pistoleiro. — Não é
apenas o mundo que segue adiante. — Olhou diretamente para Eddie, olhos levemente azuis que, sob aquela luz, eram quase cor de ardósia. —
Mas seremos magníficos. — Fez uma pausa. — Há mais de um mundo a conquistar, Eddie. Eu não arriscaria você e ela... e eu não teria permitido que o garoto morresse... se não existisse mais que isto.
— Do que você está falando?
— De tudo que existe — disse o pistoleiro calmamente. — Vamos
seguir em frente, Eddie. Vamos lutar. Vamos ser feridos. E no final vamos
estar de pé.
Desta vez foi Eddie quem não disse nada. Não conseguiu pensar em
nada para dizer.
Roland segurou delicadamente o braço de Eddie.
— Até os condenados amam — disse ele.