A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 272 de 274

Páginas do PDF

A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Não? Vai me dizer que não…

— Não? Vai me dizer que não está viciado na torre?

Roland não disse nada.

— Quem vai atravessar alguma porta mágica para salvar você, cara?

Sabe quem? Eu vou. Ninguém mais. Você escolheu todos que pôde escolher. E a única coisa que pode escolher agora é a porra do revólver

que vai usar, porque parece que foi a única coisa que sobrou para você. Exatamente como Balazar.

Roland não disse nada.

— Quer saber qual era a única coisa que meu irmão tinha para me

ensinar? — As lágrimas deixavam a voz de Eddie pastosa e irregular.

— Quero — disse o pistoleiro. Ele se inclinou para a frente, os olhos

colados atentamente nos de Eddie.

— Ele me ensinou que quem mata o que ama fica para sempre

condenado.

— Já estou condenado — disse Roland calmamente. — Mas talvez

até o condenado possa ser salvo.

— Quer mesmo provocar a morte de todos nós?

Roland não disse nada.

Eddie agarrou os farrapos da camisa de Roland.

— Quer mesmo provocar a morte dela? — Todos nós vamos morrer um dia — disse o pistoleiro. — Não é

apenas o mundo que segue adiante. — Olhou diretamente para Eddie, olhos levemente azuis que, sob aquela luz, eram quase cor de ardósia. —

Mas seremos magníficos. — Fez uma pausa. — Há mais de um mundo a conquistar, Eddie. Eu não arriscaria você e ela... e eu não teria permitido que o garoto morresse... se não existisse mais que isto.

— Do que você está falando?

— De tudo que existe — disse o pistoleiro calmamente. — Vamos

seguir em frente, Eddie. Vamos lutar. Vamos ser feridos. E no final vamos

estar de pé.

Desta vez foi Eddie quem não disse nada. Não conseguiu pensar em

nada para dizer.

Roland segurou delicadamente o braço de Eddie.

— Até os condenados amam — disse ele.