A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 59 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Roland. O seu é Eddie. Eddie Dean.

Você escuta bem. Escuto e observo.

— Dêem as roupas dele — disse o homem mais velho num

tom irritado. E olhando para Eddie: — Não sei o que você tinha ou como conseguiu se livrar da coisa, mas fique certo de que

vamos descobrir.

O mais velho o espiava.

— E assim ficamos. Você aí, quase sorrindo. O que você diz

não me dá vontade de vomitar. O que você ê sim.

— Eu deixo você com vontade de vomitar.

— Positivo.

— Ah, rapaz — disse Eddie. — Adoro isso. Estou sentado aqui

numa salinha, só de cueca, com sete caras em volta de mim com

revólveres na cintura e eu deixo você com vontade de vomitar? Cara, você tem algum problema.

Eddie deu um passo na direção dele. O cara da alfândega

manteve por um instante a posição, mas alguma coisa no olho de Eddie — uma cor maluca que parecia meio castanha, meio azul — o fez recuar, mesmo contra sua vontade.

— NÃO ESTOU CARREGANDO NADA! — berrou Eddie. —

DESISTAM! SIMPLESMENTE DESISTAM! ME DEIXEM EM PAZ!

De novo o silêncio. Então o homem mais velho se virou e gritou

com alguém:

— Não ouviu o que eu disse? Pegue as roupas dele!

E foi o que aconteceu.

 

— Acha que estamos sendo seguidos? — perguntou o taxista. Parecia

estar se divertindo.

Eddie se virou para a frente.

— Por que está dizendo isso?

— Você não pára de olhar pelo vidro de trás.

— Nem me passou pela cabeça estar sendo seguido — disse

Eddie. Era a pura verdade. Vira os homens que o estavam seguindo

da primeira vez que olhara em volta. Homens, no plural. Não precisava continuar olhando em volta para confirmar sua presença.

Até pacientes de folga de um sanatório para retardados mentais não

achariam difícil perder o táxi de Eddie de vista naquela tarde de fins de maio; o tráfego era muito pequeno. — Eu estudo os padrões de

tráfego, só isso.

 

— Ah — disse o taxista. Em certos círculos uma declaração tão estra-

nha teria provocado perguntas, mas os motoristas de táxi de Nova York

raramente perguntam alguma coisa; em vez disso confirmam, em geral de

modo enfático. A maioria dessas confirmações começa com a frase Esta

cidade!, como se as palavras fossem uma evocação religiosa precedendo

um sermão... o que, aliás, geralmente são. Aquele motorista, no entanto,

disse: — Porque se você realmente achou que estávamos sendo seguidos,

não estávamos. Eu saberia. Esta cidade! Meu Deus! Tenho seguido muita

gente nas minhas horas de serviço. Você nem imagina o número de pessoas

que pulam no meu táxi e dizem "Siga aquele carro". Eu sei, parece uma

coisa que só se escuta nos filmes, não é? É. Mas como se costuma dizer, a

arte imita a vida e a vida imita a arte. Isto realmente acontece! E se livrar de

um perseguidor não é difícil depois que você aprende a enganar o cara.

Você...

Eddie sintonizou o motorista como um ruído de fundo, ouvindo

apenas o suficiente para balançar a cabeça nas horas certas. E, visto de

determinado ângulo, o rap do motorista era realmente bem divertido. Um

dos carros que o estava seguindo era um sedã azul-escuro. Eddie descon-

fiou que pertencia à alfândega. O outro era uma van fechada com

GINELLIS PIZZA escrito dos lados. Havia também o desenho de uma

pizza, só que a pizza era um sorridente rosto de garoto e o garoto sorriden-

te estava saboreando seus próprios lábios. Embaixo da imagem havia a

legenda: HUMMMMM! Que DELÍCIA de pizza! Infelizmente algum jo-

vem artista urbano, com uma lata de spray e um rudimentar senso de

humor, tinha passado tinta sobre pizza e escrito PICA por cima.

Ginelli. Só havia um Ginelli que Eddie conhecesse; ele comandava

um restaurante chamado Four Fathers. O negócio de pizza era um que-

bra-galho, um fundo falso, uma vinheta de otário. Ginelli e Balazar. Os

dois andavam juntos como cachorro-quente e mostarda.