A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
A porta era como uma daquelas gravuras…
A porta era como uma daquelas gravuras com uma imagem oculta;
de início a pessoa não consegue ver a parte escondida, mas depois que a
descobre fica impossível deixar de enxergá-la, por mais que a pessoa tente.
Ela desaparecera nas duas ocasiões em que o pistoleiro fora até lá,
sem ele, e isso tinha sido assustador — Eddie havia se sentido como uma
criança cujo abajur queimou. A primeira vez fora durante o interrogatório na alfândega.
Preciso ir, a voz de Roland irrompera nitidamente no meio da per-
gunta que naquele momento atiravam contra ele. Só vou demorar alguns minutos. Não tenha medo.
Por quê?, Eddie perguntou. Por que precisa ir? — Qual é o problema? — um dos caras da alfândega havia pergunta-
do. — Por que essa cara de assustado?
De repente ele ficara assustado, mas por nenhuma razão que aquele
idiota pudesse compreender.
Ele olhou por cima do ombro, e os homens da alfândega também
olharam. A única coisa que viram foi uma parede completamente branca coberta de compensados também brancos e cheios de buracos para abafar o som; Eddie viu a porta, em seu habitual metro de distância (agora estava
encravada na parede da sala, uma saída de emergência que nenhum dos seus interrogadores conseguia ver). Ele viu mais. Viu coisas saindo das ondas, coisas que pareciam fugidas de algum filme de terror onde os efeitos
fossem um pouco mais especiais do que você gostaria, especiais o bastante para tudo parecer real. Lembravam um horrendo cruzamento de cama-rões da malásia, lagostas e aranhas. Estavam fazendo um som estranho.
— Está na fissura? — perguntara um dos caras da alfândega. — Está
vendo uns insetos rastejando pela parede, Eddie?
Aquilo chegava tão perto da verdade que Eddie quase riu. Compre-
endia, sem dúvida, por que o homem chamado Roland precisava voltar; a
mente de Roland estava realmente em segurança — ao menos por ora —, mas as criaturas se moviam em direção a seu corpo e Eddie suspeitava que se Roland não o tirasse rapidamente da área, talvez não sobrasse mais qual-
quer corpo para o qual pudesse voltar mais tarde.
De repente ouviu David Lee Roth gritar na sua cabeça: Oh Iiii... ain 't
got nobody... e desta vez ele de fato riu. Não pôde evitar.