A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Talvez você esteja recuperando o senso…
— Talvez você esteja recuperando o senso de humor que perdeu na
quelas guerras. — Ele se levanta, certamente para ir até a encosta onde
deve haver lenha para uma fogueira, calcula Roland.
— Espere — sussurra Roland, e Eddie se vira para olhá-lo. —
Falando sério, por quê?
— Acho que foi porque você precisava de mim. Se eu me matasse,
você ia morrer. Mais tarde, quando estiver novamente andando sem
problemas, posso, digamos, reexaminar minhas opções. — Eddie olha
em volta e suspira profundamente. — Quem sabe não há uma
Disneylândia ou uma Coney Island no seu mundo, Roland, porque o
que vi até agora realmente não me parece muito interessante.
Eddie começa a se afastar, pára e torna a virar a cabeça para Roland.
Tem uma expressão sombria, embora parte da palidez doentia tenha su-
mido. As tremedeiras se transformaram no máximo em tremores ocasionais.
— Às vezes você realmente não entende o que eu digo, não é? — Não — murmura o pistoleiro. — Às vezes não.
— Então vou esclarecer. Há pessoas que precisam de pessoas que
precisem delas. Você não compreende pela simples razão de não ser uma
dessas pessoas. Você me usaria e depois me atiraria no lixo como um saco
de papel se fosse preciso. Deus fodeu com você, meu amigo. Você é esperto
o bastante para se sentir muito mal agindo assim, e duro o bastante para
fazê-lo de qualquer maneira. Não seria capaz de agir de outro modo. Se
me visse caído na praia pedindo socorro, passaria sobre mim se eu
estivesse entre você e sua maldita torre. Não estou perfeitamente
próximo da verdade?
Roland não diz nada, só observa Eddie.
— Mas nem todo mundo é assim. Há pessoas que precisam de
pessoas que precisem delas. Como a canção da Barbra Streisand. Piegas,
mas verdadeira. As pessoas costumam se envolver umas com as outras.
Eddie o olha fixamente.
— Mas no que diz respeito a você, quer permanecer sempre de fora,
não é?
Roland o observa.
— Exceto no que diz respeito à Torre. — Eddie deixa escapar um
riso curto. — Você é viciado na Torre, Roland.