A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Não sabe? — perguntou ela, olhando-o com mais atenção.
— Não. Eu... — Ele engoliu em seco. — Não.
Ela o observou em silêncio por mais um instante.
— Empurre-me para o outro lado da porta, por favor. Gostaria de
ver o que tem lá. Sei que está querendo voltar para socorrer Roland, mas faria alguma coisa por mim?
Ele faria.
Começaram a contornar a porta, pelo lado que ficava voltado para a
terra.
— Espere! — ela gritou. — Viu isso?
— O quê?
— Volte! Olhe! Preste atenção!
Dessa vez ele olhou para a porta em vez do que poderia estar à frente
para lhes causar problemas. Enquanto faziam o contorno, observou a por-ta de uma perspectiva lateral, suas dobradiças, que pareciam não estar
fixas em absolutamente nada; constatou sua solidez...
Então ela sumiu.
A solidez da porta sumiu.
A visão da água deveria ter sido interrompida por três, talvez mesmo
dez centímetros de madeira sólida (a porta parecia extraordinariamente espessa), mas não havia tal interrupção.
A porta tinha sumido.
Sua sombra estava lá, mas a porta se fora.
Eddie voltou meio metro com a cadeira, ficando bem ao sul do pon-
to onde a porta se encontrava, e a solidez tornou a surgir.
— Viu isso? — perguntou ele num tom meio trêmulo. — Sim! Está. aqui de novo!
Avançou trinta centímetros com a cadeira. A porta continuava lá.
Mais 15 centímetros. Ainda lá. Agora mais cinco centímetros. Sempre lá. Dois centímetros e meio... e ela havia sumido. A solidez havia sumido.
— Deus — ele murmurou. — Meu Deus.
— Será que ela vai se abrir para você? — perguntou ela. — Ou para
mim?
Devagar, Eddie deu um passo à frente e agarrou a maçaneta da porta
com aquelas duas palavras gravadas.