A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Há quanto tempo ele saiu? —…
— Não.
— Há quanto tempo ele saiu? — Delevan olhou para Johnny Gordo,
que não respondeu, talvez porque Johnny, que estava de costas, tenha acha-do que Delevan ainda estava falando com o parceiro. Delevan, que não era exatamente um homem de temperamento calmo e conduta contida,
mesmo na melhor das circunstâncias, começou a gritar com Johnny, embora
isso lhe desse a sensação de que a cabeça iria rachar em mil pedaços: Eu lhe fiz uma pergunta, sua merda gorda! Há quanto tempo esse filho-da-puta saiu?
— Talvez cinco minutos — disse Johnny Gordo num tom apático.
— Pegou caixas de balas e os revólveres de vocês. — Fez uma pausa. — Pagou a munição. Nem pude acreditar.
Cinco minutos, pensou Delevan. O cara havia chegado num táxi. Sen-
tados no carro-patrulha e tomando café, eles o tinham visto saltar. Estava ficando perto da hora do rush. Era difícil achar um táxi naquela hora. Talvez...
— Vamos — disse ele a George O'Mearah. — Ainda temos uma
chance de capturá-lo. Vamos pegar um revólver desta birosca aqui...
O'Mearah exibiu o Magnum. A princípio Delevan viu dois deles,
depois a imagem lentamente se reuniu.
— Bom. — Delevan estava de fato voltando a si, não de imediato,
mas estava chegando lá, como um lutador premiado que tivesse levado
uma tremenda direta no queixo. — Fique com ele. Vou usar a espingarda que está embaixo do painel do carro. — Começou a se dirigir para a porta e dessa vez fez mais do que oscilar; perdeu o equilíbrio e teve de se agarrar
na parede para não cair.
— Está se sentindo bem? — perguntou O'Mearah.
— Vou estar se conseguirmos pegá-lo — disse Delevan. Saíram. A partida deles não deixou Johnny Gordo tão satisfeito quanto
a partida da assombração de terno azul, mas quase. Quase.
Delevan e O'Mearah nem tiveram de discutir que direção o elemento
poderia ter tomado ao deixar a loja de armas. Tudo que precisaram fazer
foi ouvir o plantonista do rádio.