A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Cague à vontade em cima de…
— Cague à vontade em cima de mim — disse Eddie devagar —, mas
acho que é um truque tremendamente baixo. Pus minha vida em risco
para defendê-lo na sala de Balazar.
— Sei que pôs. — O pistoleiro sorriu, raridade que iluminou seu
rosto como um momentâneo raio de sol num dia triste e escuro. — Por
isso é que a única coisa que tenho feito é escutá-lo de boa-fé, Eddie. Está
lá. Eu a vi uma hora atrás. A princípio achei que fosse apenas uma
miragem ou um pensamento fantasioso, mas ela está lá, sem dúvida.
Eddie olhou para a frente, concentrou-se até uma lágrima escorrer
pelo canto dos olhos.
— A única coisa que estou vendo na minha frente é mais praia —
disse por fim. — E olhe que minha visão é vinte sobre vinte.
— Não sei o que isso quer dizer.
— Quer dizer que se houvesse alguma coisa lá na frente, eu veria! —
Mas Eddie ficou em dúvida. Não sabia se os olhos azuis extremamente
focados do pistoleiro seriam capazes de ver mais longe que os seus. Quem
sabe um pouco mais...
Talvez muito.
— Você vai ver — disse o pistoleiro.
— Ver o quê
— Não vamos chegar hoje lá, mas se enxerga tão bem quanto disse
que enxerga, vai ver antes que o sol toque a água. A não ser que prefira
ficar de cabeça baixa, falando bobagens.
— Ka... — disse Eddie num tom de reflexão.
— Ka — Roland assentiu.
— Kaka — disse Eddie, rindo. — Vamos lá, Roland. Fazemos uma
aposta. Se eu não enxergar nada na hora em que o sol bater na água, você
fica me devendo um frango no jantar. Ou um Big Mac. Ou qualquer coisa
que não seja lagosta.
— Vamos.
Começaram de novo a andar e, pelo menos uma hora antes de a parte
inferior do arco do sol tocar o horizonte, Eddie Dean começou a ver a
forma na distância — vaga, trêmula, indefinível, mas sem a menor dúvida
alguma coisa. Uma coisa nova.