A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Ele se virou. Havia um buraco na…
Ele se virou. Havia um buraco na parede do banheiro, um buraco
que parecia uma porta. Do outro lado podia ver uma praia cheia de areia
cinza e ondas quebrando com a cor de meias encardidas.
Podia ouvir as ondas.
Podia sentir o gosto do sal, um gosto amargo como lágrimas em seu
nariz.
Atravesse.
Alguém batia na porta do banheiro, mandando que saísse, que era
preciso desembarcar de imediato.
Atravesse, porra!
Eddie, gemendo, deu um passo em direção à porta... tropeçou... e
caiu no outro mundo.
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Ficou lentamente de pé, consciente de que cortara a palma da mão direita na
beira de uma concha. Contemplou estupidamente o sangue correndo pela sua
linha da vida, depois viu outro homem se levantando devagar à sua direita.
Eddie recuou, as sensações de desorientação e vago desequilíbrio su-
bitamente suplantadas por intenso terror: o homem estava morto e não
sabia. Seu rosto era esquálido, sua pele esticada sobre os ossos da face
lembrava tiras de pano repuxadas em volta de arestas pontudas, de aspecto
metálico, quase a ponto de rasgar o pano. A pele do homem era lívida,
salvo por confusas manchas vermelhas no alto de cada face e no pescoço,
à esquerda e direita da mandíbula. Havia também uma solitária marca
circular entre seus olhos, como resultado de uma tentativa infantil de re-
produzir um símbolo hindu de casta.
Seus olhos, no entanto — azuis, firmes, sadios —, estavam vivos,
cheios de terrível e tenaz vitalidade. Ele vestia roupas escuras de algum
tecido feito à mão; a camisa, de mangas arregaçadas, era de um preto des-
botado quase cinza, a calça tinha algo de jeans. Cinturões de revólveres
cruzavam sua cintura, mas as cartucheiras estavam quase todas vazias. Os
coldres guardavam revólveres que lembravam os de calibre 45, mas de um
modelo incrivelmente antigo. A suave madeira dos cabos parecia brilhar
com sua própria luz interior.