A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 45 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Ele se virou. Havia um buraco na…

Ele se virou. Havia um buraco na parede do banheiro, um buraco

que parecia uma porta. Do outro lado podia ver uma praia cheia de areia

cinza e ondas quebrando com a cor de meias encardidas.

Podia ouvir as ondas.

Podia sentir o gosto do sal, um gosto amargo como lágrimas em seu

nariz.

Atravesse.

Alguém batia na porta do banheiro, mandando que saísse, que era

preciso desembarcar de imediato.

Atravesse, porra!

Eddie, gemendo, deu um passo em direção à porta... tropeçou... e

caiu no outro mundo.

 

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Ficou lentamente de pé, consciente de que cortara a palma da mão direita na

beira de uma concha. Contemplou estupidamente o sangue correndo pela sua

linha da vida, depois viu outro homem se levantando devagar à sua direita.

Eddie recuou, as sensações de desorientação e vago desequilíbrio su-

bitamente suplantadas por intenso terror: o homem estava morto e não

sabia. Seu rosto era esquálido, sua pele esticada sobre os ossos da face

lembrava tiras de pano repuxadas em volta de arestas pontudas, de aspecto

metálico, quase a ponto de rasgar o pano. A pele do homem era lívida,

salvo por confusas manchas vermelhas no alto de cada face e no pescoço,

à esquerda e direita da mandíbula. Havia também uma solitária marca

circular entre seus olhos, como resultado de uma tentativa infantil de re-

produzir um símbolo hindu de casta.

Seus olhos, no entanto — azuis, firmes, sadios —, estavam vivos,

cheios de terrível e tenaz vitalidade. Ele vestia roupas escuras de algum

tecido feito à mão; a camisa, de mangas arregaçadas, era de um preto des-

botado quase cinza, a calça tinha algo de jeans. Cinturões de revólveres

cruzavam sua cintura, mas as cartucheiras estavam quase todas vazias. Os

coldres guardavam revólveres que lembravam os de calibre 45, mas de um

modelo incrivelmente antigo. A suave madeira dos cabos parecia brilhar

com sua própria luz interior.