A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 71 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Capítulo 8

 

Era uma distância curta, mas antes que ele completasse a metade do cami-

nho a mão de Andolini se espalmou no seu antebraço com a força paralisante de um torno. Sua respiração, quente como a de um touro, soprou atrás do pescoço de Eddie. Ele fez tudo isso no tempo que, olhan-

do para ele, você acharia que seu cérebro iria levar só para convencer a mão a levantar a maçaneta da porta.

Eddie se virou.

Fique tranqüilo, Eddie, murmurou Roland. Tranqüilo, respondeu Eddie.

— Eu poderia matá-lo por isso — disse Andolini. — Ninguém me

manda enfiar nada no cu, especialmente um viciado de merda como você.

— Mata o cacete!— Eddie gritou... mas foi um grito calculado. Um

grito tranqüilo, se a idéia tem alguma lógica. Ficaram ali parados, vultos escuros na dourada luz horizontal do pôr do sol, no final da primavera, na

aridez daquele amontoado de prédios atarracados que é a Co-Op City do Bronx. As pessoas ouviram o grito, ouviram a palavra mata e, quando os rádios estavam ligados, elas aumentaram o volume, e quando os rádios

estavam desligados, elas os ligaram e depois aumentaram o volume, por que era melhor agir assim, era mais seguro.

— Rico Balazar quebrou sua palavra! Eu fiz o diabo por ele e ele não

está fazendo nada por mim! Por isso estou dizendo pra você enfiar esta van na porra do seu cu, estou dizendo pra ele enfiar a van na porra do cu dele e estou dizendo a todo mundo que sou eu que quero que ele enfie a van no maldito cu!

Andolini o encarava. Seus olhos eram tão castanhos que a cor parecia

estar vazando para as córneas, resultando no amarelo de velhos pergaminhos.

— Eu mando o presidente Reagan enfiar a van no cu se ele quebrar a

palavra comigo e fodo a porra do seu canal retal ou o que estiver no caminho!

As palavras se extinguiram em ecos nos tijolos e no concreto. Uma

criança, a pele muito negra contrastando com um short branco de basque-

te e tênis de cano alto, estava parada sozinha no playground do outro lado da rua. Ela os observava, a bola de basquete meio apoiada na barriga e na

curva do cotovelo.