A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 73 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Falou, valeu, irmãozinho, respondia Henry, transpiração zero, tudo

sob controle, mas às vezes, olhando para as cinzas do rosto e o fogo morto

nos olhos de Henry, Eddie percebia que o irmão jamais voltaria a ter

qualquer coisa sob controle.

O que ele queria dizer a Henry e não conseguia nada tinha a ver

com o fato de Henry levar uma dura ou de ambos levarem uma dura. O

que ele queria dizer era Henry, é como se você andasse procurando um

lugar para morrer. E isso que eu acho e quero que você desista da porra

dessa idéia. Porque se você morrer, para que eu vivi até agora?

— Henry não está bem — disse Jack Andolini. — Precisa que

alguém tome conta dele. Precisa... como é aquela música? De uma

ponte sobre águas revoltas. É do que Henry precisa. Uma ponte sobre

águas revoltas. // Roche está sendo essa ponte.

Il Roche é uma ponte para o inferno, pensou Eddie. Em voz alta ele

perguntou:

— É onde está Henry? Na casa de Balazar?

— É .

— Dou a parada a ele e ele me entrega Henry?

— Henry e as suas coisas — disse Andolini —, não esqueça.

— Em outras palavras, o acordo volta ao normal.

— É isso.

— Agora me diga se acha que isso vai realmente acontecer. Vamos lá,

Jack. Me diga. Quero ver se consegue fazer isso de cara séria. E se conseguir fazer isso de cara séria, quero ver até onde o seu nariz vai

crescer. Não estão te entendendo, Eddie.

— Claro que está. Balazar acha que eu tenho a mercadoria? Se está

pensando isso, tem de ser estúpido e sei que ele não é estúpido.

— Não sei o que ele está pensando — disse Andolini num tom

sereno. — Não é meu trabalho adivinhar o que ele pensa. Ele sabe que

você tinha a mercadoria quando saiu das Ilhas, sabe que foi agarrado pelos

caras da alfândega e depois liberado, sabe que está aqui e não a

caminho da prisão, sabe que a mercadoria tem de estar em algum lugar.

— E sabe que os caras da alfândega continuam grudados em mim

como um traje impermeável num mergulhador, porque você soube disso e enviou algum tipo de mensagem codificada pelo rádio da van. Algo como "queijo duplo, segure as enchovas", certo, Jack? Jack Andolini

ficou calado e parecia sereno.

— Só que estava dizendo a ele algo que ele já sabia. É como ligar os

pontos de uma figura que você já sabe qual é.

Parado na luz dourada do pôr-do-sol, que aos poucos ia virando

uma fornalha laranja, Andolini continuou de ar sereno e absolutamente calado.

— Balazar acha que me dobraram. Acha que entrei na deles. Acha

que pude ser estúpido a ponto de dar o serviço. Até certo ponto posso entender essa reação. Afinal, por que não? Uma cabeça perturbada pode fazer qualquer coisa. Não quer verificar se estou usando algum microfone?

— Sei que não está — disse Andolini. — Tenho uma coisa na van. É

como um interceptador de freqüência, só que capta transmissões de rádio de pouco alcance. E pelo que me consta, não acho que esteja prestando serviços aos federais.

— Sério?

— Sério. Então entramos na van e vamos até o centro ou não?

— Tenho escolha?

Não, disse Roland dentro da cabeça dele.

— Não — disse Andolini.

Eddie voltou para a van. O garoto com a bola de basquete continuava

parado do outro lado da rua, a sombra agora tão comprida que parecia um

guindaste.

— Saia daqui, garoto — disse Eddie. — Nunca esteve aqui, nunca

viu nada nem ninguém. Desinfete.

O garoto correu. Col

estava sorrindo.

— Puxe o carro, campeão — disse Eddie.

— Acho que você deveria sentar no meio, Eddie.

— Puxe o carro — repetiu Eddie. Col olhou-o, depois olhou para

Andolini, que não virou a cabeça. Andolini se limitou a fechar a porta do

motorista e fixar serenamente o olhar à frente, como Buda nos seus dias de folga, deixando os dois resolverem sozinhos aquele problema dos lugares. Col olhou mais uma vez para a cara de Eddie e resolveu ficar no meio.