A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 152 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Quando Eddie acabou, a mulher continuou algum tempo sem dizer

nada, sem olhar para ele mas além dele, contemplando as ondas que, ao

cair da noite, trariam as lagostas com suas perguntas bizarras, profissio-

nais. Eddie fora particularmente cuidadoso ao descrevê-las. Melhor para a

Dama ficar um pouco assustada agora do que muito assustada quando

elas saíssem para passear na areia. Achava que ela não iria querer comê-las,

não depois de saber o que tinham feito à mão e ao pé de Roland, não depois

de ter oportunidade de dar uma boa olhada nelas. Mas finalmente a fome

seria mais forte que a aversão ao chic e chum.

Os olhos dela estavam vidrados, distantes.

— Odetta? — perguntou ele após uns cinco minutos. Ela lhe dissera

o nome. Odetta Holmes. Eddie achou que era um nome esplêndido.

Ela o contemplou, sobressaltada. Sorriu um pouco. Disse uma palavra.

— Não.

Eddie se limitou a observá-la, incapaz de encontrar uma resposta

adequada. Achou que nunca havia compreendido, até aquele momento,

como uma simples negativa podia ser arrasadora.

— Não entendo — disse por fim. — Ao que está dizendo não?

— A tudo isto. — Odetta agitou um braço (possuía, ele reparou,

braços muito fortes... macios mas muito fortes) indicando o mar, o céu, a

praia, os denteados contrafortes onde o pistoleiro estaria agora certamente

procurando água (ou sendo comido vivo por algum novo e interessante

monstro, embora Eddie não estivesse realmente disposto a se preocupar

com isto). O gesto de Odetta abarcava todo aquele mundo.

— Compreendo como se sente. Eu mesmo, a princípio, fiquei muito

assustado com essas irrealidades.

Mas será que tinha mesmo se assustado? Em retrospecto, parecia que

ele havia simplesmente aceitado aquilo tudo, talvez porque estivesse doen-

te, cada vez mais perturbado pela sua necessidade da droga.

— Vai superar isso.

— Não — ela tornou a dizer. — Acho que alguma coisa aconteceu, mas

sei que no fundo continuo em Oxford, no Mississipi. Nada disto é real.

Ela se calou. Se tivesse falado mais alto (ou talvez se Eddie não esti-

vesse se apaixonando) aquilo teria soado com um certo tom de desprezo.

Nas atuais circunstâncias, sugeria antes alguma coisa lírica.