A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
— Mordidas de mosquito.
— Sim.
— E a marca vermelha é uma reação alérgica.
— É. Começou quando eu estava nas Bahamas; no início não pareceu
tão ruim.
— Começou quando ele chegou lá — um dos homens disse para
outro.
— Hã-hã — disse o segundo. — Você acredita?
— Com certeza.
— E em Papai Noel?
— Com certeza. Quando eu era criança cheguei a tirar um retrato
com ele. — E olhando para Eddie: — Você tem uma foto desta famosa
marca vermelha antes de fazer sua viagenzinha, Eddie?
Eddie não respondeu.
— Se está limpo, por que não faz um exame de sangue? — Era de
novo o primeiro cara, o cara com o cigarro no canto da boca. Que já queimara quase até o filtro.
Eddie ficou subitamente irritado — tremendamente irritado. Ouviu
seu interior.
Tudo bem, a voz respondeu de imediato, e Eddie sentiu mais que um
acordo, era um tipo de aprovação. Isso o fez se sentir como se sentia quando
Henry o abraçava, despenteava seu cabelo, batia no seu ombro e dizia: Você foi bem, garoto... não deixe isso lhe subir à cabeça, mas você foi bem.
— Vocês sabem que estou limpo. — Ele se levantou de repente... tão
de repente que os homens recuaram. Olhou para o fumante que estava mais perto. — E vou te dizer uma coisa, docinho, se não tirar essa fumaça
da minha cara o seu nariz vai voar com ela.
O cara recuou.
— Vocês já esvaziaram o tanque de merda daquele avião. Meu Deus,
tiveram tempo de sobra para revirar três vezes aquela coisa. A minha mala foi revirada. Eu me curvei e deixei um de vocês enfiar o dedo mais
comprido deste mundo no meu cu. Se toque retal é um exame, aquilo foi uma porra de um safári. Fiquei com medo de olhar pra baixo. Achei que ia ver a unha do cara saindo do meu pau.
Ele olhou em volta, irado.