A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 31 de 274

Páginas do PDF

A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Capítulo 3 · Contato e Aterrissagem

 

 

1

 

Eddie foi acordado pela voz do co-piloto dizendo que dali a cerca de 45

minutos eles pousariam no aeroporto internacional de Kennedy, onde a

visibilidade era boa, os ventos sopravam em direção ao oeste a 16 quilô-metros por hora e a temperatura era de agradáveis 21 graus Celsius. Disse

que, se não tivesse outra oportunidade de falar com eles, queria agradecer

a todos e a cada um por terem preferido voar pela Delta.

Olhando em volta, Eddie viu as pessoas pegando as declarações de

bagagem e documentos de identificação — chegando de Nassau, até a

carteira de motorista e o cartão de crédito de um banco americano deviam servir, mas a maioria também levava passaportes. Ele sentiu um fio de aço

começando a apertar em sua barriga. Ainda não podia acreditar que tives-

se conseguido dormir, e tão profundamente.

Levantou-se e foi até o banheiro. Os saquinhos de coca se

mantinham natural e firmemente debaixo dos braços. Tinham sido ajustados ao contorno de seu corpo por um americano de fala macia

chamado William Wilson, que os amarrara cuidadosamente no quarto do

hotel. Depois da operação de amarrar, o homem cujo nome havia sido imortalizado por Poe (Wilson apenas olhara estupidamente para Eddie

quando este fez alusão ao fato) entregou-lhe a camisa. Era só uma

camisa estampada comum, um pouco desbotada, o tipo de roupa que um estudante universitário usaria num avião depois do feriadão e antes

das provas finais... só que aquela camisa fora especialmente

confeccionada para esconder volumes desagradáveis.

— Dê uma checada antes de desembarcar, só para ter certeza — disse

Wilson —, mas tudo vai dar certo.

Eddie não sabia se tudo ia dar certo ou não, mas teve outra razão para

querer usar o banheiro antes de a luz de APERTEM OS CINTOS acen-

der. Apesar de toda a tentação — e na maior parte da noite não fora bem

uma tentação, mas uma furiosa necessidade —, ele conseguira segurar o

último grãozinho do que a coisa amarela tivera a temeridade de chamar de

Branca da China.

Passar pela alfândega vindo de Nassau não era como passar pela

alfândega vindo do Haiti, de Quincon ou de Bogotá, mas ainda assim

havia gente de olho. Gente treinada. Ele precisaria de todo e qualquer

resto de autocontrole de que fosse capaz. Se pudesse chegar lá um pouco

sóbrio, só um pouco, esse detalhe poderia ser fundamental para fazê-lo

passar.

Cheirou o resto de pó, jogou a trouxinha de papel que o continha na

privada e lavou as mãos.

E claro que, se conseguir, você nunca vai saber se tem razão, não é?,

pensou ele. Não. Não saberia. E não ligaria.

Voltando à sua poltrona, viu a aeromoça que havia trazido a bebida

que ele não terminara. Ela deu um sorriso. Ele retribuiu o sorriso, sentou-

se, pôs o cinto, pegou a revista de bordo, folheou as páginas e deu uma

olhada nas fotos e nas palavras. Nada lhe deixava qualquer impressão.

Aquele fio de aço continuava apertando sua barriga e, quando o APER-

TEM OS CINTOS realmente se acendeu, o fio deu duas voltas e se enros-

cou com mais força.

A droga tinha causado seu efeito — as fungadas provavam isso —,

mas ele certamente não podia senti-la.

Uma coisa que ele certamente sentiu pouco antes de aterrissar foi

outro daqueles desagradáveis períodos de branco... curto, mas sem a me-

nor dúvida real.

O 727 fez a curva sobre a água do estreito de Long Island e começou

a pousar.