A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
O sorriso dela vacilou.
— Ninguém te derruba.
— Nem mesmo você.
O sorriso se extinguiu.
— Ninguém que eu me lembre poderia te derrubar — ela corrigiu
com certa aspereza.
— Ninguém que você ou que eu me lembre! — disse ele. — Você
disse que foram violentos em Oxford. Bem, aqueles caras da alfândega
não entraram exatamente em êxtase quando não conseguiram achar a
droga que estavam procurando. Um deles quase me derrubou com a
coronha do revólver. Por essas horas eu podia estar estendido numa
enfermaria de hospital, imaginando você e Roland num sonho,
enquanto eles faziam
seus relatórios, explicando como eu havia me tornado violento durante o
interrogatório, tendo de ser contido.
— Comigo foi mais grave.
— Por quê? Porque você é uma inteligente e politicamente atuante
senhora preta sem pernas e eu sou apenas um viciado em pico de Co-Op
City? — Disse isso com um sorriso, sugerindo que se tratava de um
comentário brincalhão, mas ela o encarou com ar severo.
— Gostaria que parasse de me chamar de preta!.
— Tudo bem. — Ele suspirou. — Mas tenha em conta que é uma
questão de hábito.
— Bem, você devia ter mesmo participado de um clube de debates.
— Foda-se o clube — disse Eddie, e a mudança nos olhos da Dama
fez Eddie constatar que a diferença entre os dois era muito mais que mera-
mente a cor. Falavam um com o outro de ilhas distintas. A água que havia
no meio era o tempo. Mas não importava. O palavrão a sacudira. — Não
quero discutir com você. Quero chamar sua atenção para o fato de que
está acordada, só isso.
— Talvez eu fosse capaz de agir provisoriamente de acordo com as
exigências de sua terceira via se isto... esta situação... fosse coerente. Mas
há um detalhe que incomoda: existe uma diferença fundamental entre o
que aconteceu a você e o que aconteceu a mim. Realmente fundamental,
realmente grave, e você nem chegou a percebê-la.