A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 157 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Meu Deus, não. O meu departamento…

— Meu Deus, não. O meu departamento era a heroína. Já lhe disse. — Mas você não tem cara de viciado — disse ela.

Eddie realmente tinha um ar razoavelmente sóbrio... se, é claro, a

pessoa ignorasse o cheiro de podre que emanava de seu corpo e roupas (ele havia tentado se lavar e havia tentado lavar também as roupas mas, como

não havia sabão, o trabalho não tinha ficado muito bem-feito). Seu cabelo estava curto quando Roland entrou na vida dele (o melhor corte para

passar na alfândega, cara, aquela passagem que acabou se convertendo na maior de todas as piadas) e se conservava num comprimento respeitável. Ele fazia a barba toda manhã, usando a lâmina afiada da faca de Roland, a

princípio cautelosamente, mas com crescente confiança. Quando Henry foi para o Vietnã, Eddie ainda era muito jovem para o barbear ser parte de sua vida. E a barba não foi um grande problema até Henry voltar; Eddie

nunca tinha usado barba, mas passava três ou quatro dias sem fazê-la e só o fazia quando a mãe mandava que "aparasse o mato". Ao voltar, no en-tanto, Henry se tornara maníaco pelo assunto. O que se somava a algumas

outras manias: talco nos pés depois do banho, dentes escovados três ou quatro vezes ao dia com toneladas de bochechos, roupas sempre muito bem dobradas, e Eddie também acabou se convertendo num fanático por

esse tipo de ordem. A barba passou a ser raspada de manhã e no final da tarde e agora o hábito estava profundamente enraizado em sua vida, como os demais que lhe haviam sido ensinados por Henry. Incluindo, é claro,

aquele que era praticado com uma agulha.

— Tenho uma aparência de limpeza? — perguntou ele, sorrindo. — Uma aparência branca demais — disse a Dama sumariamente e

logo se calou, contemplando severamente o mar. Eddie também ficou calado. Se havia uma réplica para um comentário como aquele, ele não

sabia qual poderia ser.

— Sinto muito — continuou ela. — Fui um tanto grosseira, injusta,

e meu temperamento não é assim.

— Tudo bem.

— Não está tudo bem. É como uma pessoa branca se virar para

alguém com uma pele muito ligeiramente escura e dizer algo tipo: "Meu Deus, nunca me passou pela cabeça que você fosse crioulo."

— E, você gosta de se ver como alguém imparcial — disse Eddie.