A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três
Vinte minutos depois, o próprio Eddie quis…
Vinte minutos depois, o próprio Eddie quis desistir. Tinha a impres-
são de que seus braços haviam virado gelatina.
Sentaram-se nas sombras das rochas, ouvindo as gaivotas, vendo a
maré subir, esperando que o sol descesse e as lagostrosidades aparecessem
e começassem seu embaralhado interrogatório.
Num tom baixo demais para Detta ouvir, Roland disse que já deviam
estar sem balas aproveitáveis. A boca de Eddie se contraiu um pouco, mas
foi a única reação. Roland ficou aliviado.
— E é você quem terá de dar conta de mais uma lagosta — disse
Roland a observá-lo. — Estou fraco demais para manejar uma pedra de
tamanho suficiente para fazer o trabalho... sem correr riscos. Agora era
Eddie quem o examinava. Sem gostar nem um pouco do estado do
rosto de Roland. O pistoleiro fez um gesto para que Eddie parasse
com aquele escrutínio.
— Não se preocupe — disse ele. — Não importa. O que tem de ser,
será.
— Ka — disse Eddie.
O pistoleiro assentiu e sorriu sem energia.
— Ka — disse ele.
— Kaka. — Um olhou para o outro e os dois riram. Roland pareceu
sobressaltado, talvez até um pouco assustado com o chiado que lhe saiu da
boca, e seu riso não durou muito tempo. Logo ele ganhava um ar distante
e melancólico.
— A risada qué dizer qui cês cabaram memo cunseguindo sacudi a
velinha um do outro? — E então Detta gritou naquele tom rouco,
debilitado: — Quando vão enfiar um no outro? Isso é que eu quero ver!
Quero ver vocês enfiando!
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Eddie matou o bicho.
Detta, como sempre, se recusou a comer. Eddie comeu metade de
um pedaço na frente dela, depois lhe ofereceu a outra metade.