A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 23 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Popquim? — a mulher de uniforme…

— Popquim? — a mulher de uniforme do exército franziu a testa e o

pistoleiro de repente olhou para dentro da mente do prisioneiro.

Sanduíche... a palavra parecia distante como o murmúrio num búzio do

mar.

— Até um sanduíche — disse o pistoleiro.

A mulher do exército pareceu em dúvida.

— Bem... Tenho um pouco de atum...

— Está muito bom — disse o pistoleiro, embora nunca tivesse ouvi

do falar naquela coisa em toda a sua vida. Mendigos não tinham o direito

de escolher.

— O senhor parece mesmo um pouco pálido — disse a mulher do

exército. — Achei que talvez fosse enjôo.

— Pura fome.

— Vou ver o que posso lhe arranjar — disse ela com um sorriso

profissional.

Arranjar?, pensou o pistoleiro meio atordoado. Em seu mundo ar-

ranjar era um palavrão que significava pegar uma mulher a força. Não

importava. A comida estava a caminho. Não tinha idéia se poderia levá-la

pela porta até o corpo que precisava tão urgentemente dela, mas uma

coisa de cada vez, uma coisa de cada vez.

Arranjar, pensou, e a cabeça de Eddie Dean se sacudiu, como se ele

não pudesse acreditar.

Então o pistoleiro se retirou de novo.

 

Nervosismo, garantiu-lhe o grande oráculo e eminente viciado. Só nervosis-mo. Tudo fazendo parte da fissurinha, irmãozinho.

Mas se era caso de nervosismo, como explicar aquela estranha sono-

lência tomando conta dele — estranha porque ele deveria estar sentindo

coceira, alergia, sensações que fazem o sujeito se retorcer e se coçar antes

de enfrentar os verdadeiros tremores. Mesmo que ainda não estivesse de

todo no estado de "fissurinha" de Henry, era melhor ter cuidado, pois

tentaria passar com um quilo de cocaína pela alfândega dos Estados Uni-

dos, um crime punido com pelo menos dez anos em prisão federal. Para

complicar, parecia que estava tendo também momentos de branco.