A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 118 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

— Não entendo o que está dizendo…

— Não entendo o que está dizendo — diz o pistoleiro. — Claro que entende — diz Eddie. — O problema é que você não

tem o menor senso de humor. O que foi feito dele?

— Foi detonado entre uma guerra e outra, eu acho.

Eddie sorri com a resposta.

— Esta noite você parece um pouco mais vivo, Roland. — Estou, eu acho.

— Bem, quem sabe amanhã não consegue andar um pouco. Digo

com toda a franqueza, meu amigo, ter de arrastá-lo é a maior merda.

— Vou tentar.

— Faça isso.

— Você também parece um pouco melhor — arrisca Roland. Sua

voz afinou nas duas últimas palavras, como a voz de um menino. Se eu não parar logo de falar, pensou, talvez não consiga mais falar, nunca mais.

— Acho que não vou morrer. — Eddie atira um olhar inexpressivo

para Roland. — Mas nunca vai saber como estive perto da morte. Uma vez peguei um de seus revólveres e encostei na cabeça. Coloquei o cano na vertical, fiquei um instante com a mão parada e aí desisti. Desarmei o

gatilho e empurrei a arma para o coldre. Uma noite tive uma convulsão. Acho que foi a segunda noite que passei aqui, mas não tenho certeza. — Balança a cabeça e diz alguma coisa que o pistoleiro ao mesmo tempo

entende e não entende. — Agora Michigan me parece um sonho.

Embora com a voz de novo reduzida àquele murmúrio chiante e

sabendo que não deveria absolutamente estar falando, o pistoleiro tem de

perguntar uma coisa:

— O que o impediu de puxar o gatilho?

— Bem, estou usando a única calça que tenho — diz Eddie. — No

último segundo, pensei: se puxar o gatilho e for uma daquelas balas estragadas, nunca mais vou ter coragem de repetir a coisa... Além disso, se você caga nas calças, tem de lavar de imediato ou o cheiro fica para sempre. Henry me disse

isso. Disse que aprendeu no Vietnã. E como já tinha escurecido e Lester, a Lagosta, tinha saído da água, sem falar em todas as suas amigas...

Mas agora o pistoleiro está rindo, rindo com vontade, embora só um

barulhinho de cana rachada escape de sua boca. Eddie, também sorrindo um pouco, diz: