A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 12 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Tinha dois metros de altura e parecia…

Tinha dois metros de altura e parecia feita de sólido carvalho, embo-

ra o carvalho mais próximo devesse estar a mil ou mais quilômetros dali. A

maçaneta parecia feita de ouro e estava filigranada com um desenho que o pistoleiro acabou reconhecendo: era a face sorridente de um babuíno.

Não havia buraco de fechadura na maçaneta, nem em cima nem

embaixo.

A porta tinha dobradiças, mas fixadas a nada — ou é o que parece,

pensou o pistoleiro. Isto é um mistério, um mistério absolutamente incrível, mas que importância realmente tem? Você está morrendo. Seu próprio misté-rio — o único que realmente importa para qualquer homem ou mulher, no

final das contas — está se aproximando.

Mesmo assim, a porta parecia realmente ter importância. Aquela porta. Aquela porta onde nenhuma porta deveria estar. Ela

simplesmente estava ali, na areia cinzenta, seis metros acima da linha da maré alta, parecendo eterna como o próprio mar, agora lançando a som-bra oblíqua de sua espessura para o leste, enquanto o sol ia para oeste.

Gravadas nela, em letras pretas, a dois terços da distância até o alto,

escritas na língua superior, havia duas palavras:

 

O PRISIONEIRO

 

Um demônio tomou conta dele. O nome do demônio é HEROÍNA.

O pistoleiro ouviu um zumbido baixo. A princípio achou que devia

ser o vento ou algum som em sua cabeça febril, mas foi ficando cada vez mais convencido de que era o barulho de motores... e que estava vindo de

trás da porta.

Abra então. Ela não está trancada. Você sabe que não está trancada.

Em vez de abrir, ele cambaleou desajeitadamente até ficar em pé, se

aproximou mais da porta e contornou-a para o outro lado.

Não havia outro lado.

Só a praia cinza-escura, se estendendo para cada vez mais longe. Só as

ondas, as conchas, a linha da maré alta, as marcas de sua própria chegada — marcas de botas e buracos feitos por seus cotovelos. Tornou a olhar e

os olhos se alargaram um pouco. A porta não estava lá, mas sua sombra sim.