A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Stephen King · Capítulo 94 de 274

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A Torre Negra, Vol. 2: A Escolha dos Três

Capítulo 10

 

Andolini seguiu Eddie até o banheiro. Mantinha o revólver apontado

porque seus nervos estavam à flor da pele.

— Feche a porta — disse Eddie.

— Vá se foder — respondeu Andolini.

— Feche a porta ou nada de coca — disse Eddie.

— Vá se foder — Andolini repetiu. Já um pouco assustado, achando

que estava acontecendo alguma coisa, algo que não compreendia. Andolini

parecia mais decidido que na van.

— Ele não quer fechar a porta — Eddie gritou para Balazar. — Acho

que vou mesmo desistir de negociar, Sr. Balazar. Provavelmente você está com seis capangas aqui, cada um com uns quatro revólveres, e continua com medo de deixar um garoto se trancar no banheiro. E um garoto viciado.

— Feche a porra da porta, Jack! — gritou Balazar.

— Está bem assim — disse Eddie quando Jack Andolini bateu a

porta atrás dele. — Vou ver se você é um homem ou um covarde.

— Ah, rapaz, será que não chega desta merda? — disse Andolini para

ninguém em particular. Levantou o revólver, com o cano para a frente, pretendendo enfiá-lo na boca de Eddie.

Então ficou paralisado, com o revólver parado no ar, o espanto trans-

formando o rosnado que se formara nos dentes num frouxo arregalar de boca. Ele vira o que Col Vincent tinha visto na van.

Os olhos de Eddie passando do castanho ao azul.

— Agora agarre-o!— disse uma voz baixa de comando, que embora

saísse da boca de Eddie, não era a voz de Eddie.

Pirou de vez, pensou Jack Andolini. Ele pirou de vez, mergulhou de vez

na porra da pira...

Mas o pensamento foi interrompido quando as mãos de Eddie agar-

raram-lhe os ombros, porque quando isso aconteceu Andolini viu um buraco aparecer cerca de um metro atrás de Eddie.

Não, não um buraco. As dimensões eram perfeitas demais.

Era uma porta.

— Ave-Maria cheia de graça — disse Jack num gemido baixo.

Através da passagem que se abria quase meio metro sobre o piso

na frente do boxe particular de Balazar, pôde ver uma praia de areia

escura descendo para a arrebentação das ondas. Coisas se

moviam nessa praia. Coisas.

 

Ele baixou o revólver e o movimento que pretendera quebrar todos

os dentes da frente de Eddie com o cano não fez mais que raspar nos lábios

de Eddie e deixar um pequeno corte. Toda a energia fugia dele. Jack podia

sentir isso acontecendo.

— Avisei que a coisa ia ser braba, Jack — disse Eddie, e puxou-o.

Jack percebeu o que Eddie pretendia fazer no último momento e come-

çou a resistir como um gato selvagem, mas era tarde demais — estavam

rolando para trás através daquela passagem e o ronco abafado da cidade de Nova York à noite, tão familiar e constante que a pessoa nem chega mais

a perceber, a não ser que ele silencie, foi substituído pelo barulho forte das

ondas e as vozes ásperas, interrogadoras, dos horrores sombrios que raste-

javam de um lado para o outro na praia.

 

11

 

Temos de ir muito depressa ou estamos assados, dissera Roland, e Eddie tinha

absoluta certeza que o cara estava sugerindo que se não agissem o mais

perto possível da velocidade da luz, seriam fritos em azeite fervente. Ele

também acreditava nisso. Em matéria de bandidos, Jack Andolini era como

Dwight Gooden: você podia sacudi-lo, talvez pudesse lhe dar uma

bordoada, mas se o deixasse sair vivo do primeiro tempo, ele o arrasaria

mais tarde.

Mão esquerda!, gritou Roland para si mesmo enquanto eles atravessa-

vam e ele se separava de Eddie. Não esqueça! Mão esquerda! Mão esquerda!

Viu Eddie e Jack tropeçarem, caírem e rolarem pela encosta forrada

de seixos que seguia o contorno da praia, Eddie lutando para tirar o revól-

ver da mão de Andolini.

Roland mal teve tempo de pensar que piada cósmica seria voltar a

seu próprio mundo e descobrir que seu corpo físico morrera enquanto

tinha estado fora... Era tarde demais. Tarde demais para se espantar, tarde

demais para voltar atrás.