Navegação de Cabotagem
Rio de Janeiro, 1947.
Dúvida
Datas, quem as recorda? Sou ruim de datas, não m e canso de dizer. Cada um dos apontam entos que venho redigindo significa pergunta aos fam iliares: lem bram -se desse fato? Lem bram -se de todos, se bem cada qual o rem em ore à sua m aneira. Em que data se passou? Ninguém sabe dizer com precisão e se escuto de alguém afirm ação perem ptória é quase certo que com ete erro.
No caso do livro de m em órias de Nicolás Guillén, o poeta confundiu data e local, esqueceu fatos e detalhes, pois escreve que nos conhecem os na Paris de 1949, quando nosso prim eiro encontro se deu no Rio de Janeiro em 1947. Não se lem brou do recital de poem as na ABI, eu o apresentei ao público, exatam ente no dia e na hora em que João Jorge nascia. Foi de Nicolás a prim eira visita que a recém -parida Zélia recebeu no hospital em Copacabana. Dito o últim o poem a, mi pátria es dulce por fuera y muy amarga por dentro, cessadas as palm as do auditório, atirei-m e num táxi, na pressa de ver m ulher e filho, Nicolás m e acom panhou.
O poeta cubano esteve no Brasil diversas vezes, antes e depois da revolução fidelista, presença sem pre m arcante, irradiava sim patia. Sua poesia, de acento negro e contestatário, Canción de cuña para despertar un negrito, conquistara vasta audiência brasileira, e o m ulato risonho, de m elenas cuidadas, bom de galanteio, conquistava corações fem ininos. Maria Ninfom aníaca o recom endava às am igas idem -idem : não percam, um fodão! A propaganda sendo a base do negócio, a freguesia aum entava, Nicolás sem pre bem -acom panhado. De natural vaidoso, considerava cada aventura, m esm o breve, um caso de am or: