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Rio de Janeiro, 1930/1940.
Antes de falecer, Walter recebeu duas cartas, rem etidas am bas da residência do m estre m aior do hum anism o em nosso século: um a do escritório, despacho form al da secretária, acusa a chegada do volum e e agradece. A outra, carta pessoal de Charles Chaplin: sensibilizado, fala do livro, m ensagem de estim a e afeto, calorosa.
Rio de Janeiro, 1930/1940.
As belas
Quando desem barquei no Rio de Janeiro, em 1930, subliterato ávido, conheci o mais belo casal da literatura brasileira — assim o classificou Augusto Frederico Schm idt ao fazer as apresentações: esse aqui — a m ão gorda no m eu om bro — é um primo do Gilberto Amado.
O m ais belo casal, realm ente belo, tinha razão o poeta, constituíam -no a cronista Eneida de Moraes, paraense, cabocla linda, e o crítico literário Múcio Leão, pernam bucano alto e bem -posto, um regalo de hom em , com o dizia m inha prim a Maria que rabiscava versos e ornava de chifres a testa rica do m arido com erciante de tecidos.
Na década de trinta a quarenta a paisagem literária do Rio orgulhava-se de algum as escritoras de invulgar form osura: poetisas, rom ancistas, cronistas cuj a presença desencadeava guerra sem quartel entre os colegas m asculinos.
Cecília Meireles, os olhos verdes, ao ver de m uitos a m ais bela, grande voz da poesia em língua portuguesa. Adalgisa Nery, viúva do pintor Ism ael Nery, paixão de tantos — Jorge de Lim a, Murilo Mendes, José Lins do Rego —, casou-se com Lourival Fontes, foi a m ais deslum brante das em baixatrizes, escreveu um bom rom ance, Dinah Silveira de Queiroz, ao tem po esposa do j urista Narcélio de Queiroz, por ela o grande editor perdeu a cabeça m as, bem -casada, a rom ancista desdenhou o potentado. Graciliano Ram os, ao conhecê-la, louvou-lhe o livro de estreia com veem ência inabitual. Não sendo de elogio fácil e tendo m e dito que ainda não havia lido o rom ance de Dinah, cobrei-lhe a intruj ice. Ainda não li mas já gostei, quem vier me dizer que é ruim briga comigo. Da beleza de Eneida j á falei, m anteve-se linda m esm o no fim da vida, quando a m oléstia tentou fazê-la ausente e feia sem o conseguir.
A m eu ver, entre todas a m ais form osa, a sem -igual, Yone Stam ato, escrevia poem as e transtornou a cabeça de poetas e prosadores, citava-se os nom es de Cassiano Ricardo e de Menotti del Picchia entre outros em delírio, eu a conheci em 1938, no Dom Casmurro*, quando a esplendorosa Yone teve um caso com a redação daquele sem anário de literatura.
*Dom Casm urro, revista literária, de 1937 a 1946.
Bahia, 1988.
O japonês
Floriano Teixeira nasceu no Maranhão há m ais tem po do que dem onstra, na Bahia engordou m as não envelheceu, patriarca j ovial entre filhos e netos. No lem e do barco, Alice* parece m ansa, é destem ida, garante a travessia no m ar encapelado. O sangue indígena predom ina na m istura brasileira do m aranhense.