Navegação de Cabotagem
Petrópolis, 1984.
— Muy bien, m uy bien. Guillén usted lo pronuncio perfecto, absolutam ente perfecto. Pero, en Cuba, Aristides se pronuncia Nicolás — soletrou: — Ni-co-lás.
Petrópolis, 1984.
Comissão de leitura
Pergunto a Alfredo Machado por que devolveu os originais de conhecido contista, excelente escritor, originais que, adem ais, lhe haviam sido recom endados por am igos que m uito lhe m ereciam . Respondeu-m e, abrupto:
— A com issão de leitura da editora achou o livro fraco. Digo-lhe o que penso da com issão de leitura da editora, ele m e interrom pe, categórico:
— Se pago um a com issão para j ulgar originais, devo acatar seu j ulgam ento, sem o quê estaria j ogando dinheiro fora.
Assim agem no m undo inteiro os editores ditos profissionais. Com o quê colocam -se à m argem de pedidos, da intervenção de terceiros, não lhes nego razão. Por outro lado, ficam à m ercê de leitorado nem sem pre com petente quando não discrim inatório, o Patrulham ento ideológico ditando apreciações, conheço m ais de um caso.
Habituado às editoras brasileiras, patriarcais, um a recom endação tinha valor, o profissionalism o das editoras norte-am ericanas e europeias causou-m e, antes que nele m e enquadrasse, algum as am ofinações. Quem m e esclareceu foi m eu am igo Alfred Knopf, cuj a casa se tornou fam osa pela qualidade literária de seus autores, entre os quais os brasileiros Gilberto Frey re, Graciliano Ram os, Guim arães Rosa, José J. Veiga, Antônio Callado.
Devo a Knopf a pequena presença que tenho j unto ao público de língua inglesa. Antes de nos conhecerm os pessoalm ente fez traduzir e publicou, em 1946, Terras do Sem Fim* anos depois saiu do sério para apresentar num texto caloroso a tradução de Gabriela aos leitores de sua editora. Daí por diante não m ais se deteve no apoio aos m eus livros.
The Violent Land. Knopf.
Por três vezes veio ao Brasil, fez-se am igo de Alfredo Machado e de Dorival Cay m m i, viaj am os Bahia, Alagoas, Pernam buco, varam os o sertão, subim os o rio São Francisco. Tive a alegria de vê-lo, ao lado de Helen, servir cham panhe aos convidados no dia em que com em orou noventa anos bem vividos, em sua casa de Purchaise. Ali fom os seus hóspedes, Zélia e eu, em fins de sem ana de apurada m ordom ia. Mantínham os correspondência sem anal e, no bom hábito brasileiro de recom endar livros a editores, eu lhe enviava, a pedido dos autores ou por diligência própria, rom ances e volum es de contos que m e pareciam m erecer tradução.
Foi assim que enviei a Alfred Knopf, acom panhado de carta entusiástica, exem plar de Terra de Caruaru, rom ance de José Conde, escritor e pessoa de m inha estim a. Inform ei Conde da iniciativa e ele passou a cobrar-m e, com natural im paciência, a resposta do editor, resposta que não chegava nunca. Um dia dei-m e conta de que José duvidava do envio, nem exem plar nem carta de recom endação, conversa fiada, fiquei m olesto, escrevi a Knopf reclam ando do silêncio. Aproveitava para lhe perguntar por que j am ais acusava recebim ento dos livros que eu lhe rem etia antevendo possíveis traduções.
A resposta veio pela volta do correio, Alfred agradecia o envio dos volum es, tanto de Terra de Caruaru quanto dos anteriores. Cada um deles havia sido entregue ao com itê de leitura da editora, se o autor não recebera proposta de contrato era sinal de que o leitorado não recom endara a tradução. E fim de papo.