Navegação de Cabotagem

Jorge Amado · Capítulo 193 de 262

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Rio de Janeiro, 1982.

Ainda hoj e não perdi o hábito de recom endar autores brasileiros a editores estrangeiros, feliz quando um livro obtém aprovação do com itê de leitura na França, na Itália, na Alem anha, na Argentina.

Rio de Janeiro, 1982.

Candidato a pulso

Marcara encontro com Josué Montello na Academ ia para form alizarm os a candidatura de Álvaro Salem a à vaga aberta com a m orte do filósofo Rebelo Gonçalves no quadro dos m em bros correspondentes. Na escadaria de entrada deparo com Pedro Calm on, saúda-m e com espanto e estim a:

— Coisa rara vê-lo por aqui. A que veio?

— Encontrar Josué. Vam os inscrever candidato à vaga de Rebelo Gonçalves que m orreu no Porto.

— E quem é o candidato de vocês, pode-se saber?

— O ensaísta Álvaro Salem a.

Pedrinho sustem o passo, tom a-m e do braço:

— Sei quem é, autor de um ensaio sobre Cervantes, de prim eiríssim a. Nom e excelente, podem contar com m eu voto.

Passada a eleição, m eses depois, Pedrinho m e revelou que naquele dia tam bém ele viera à Academ ia com a intenção de indicar pretendente à m esm a vaga. Ao ouvir o nom e de Salem a decidira j untar-se a Josué e a m im , guardara sua proposta para outra ocasião.

Inscrevem os Álvaro Salem a candidato com os aplausos de Pedro Calm on e de toda a Academ ia, m as contra a vontade dele, do indigitado. Nossa vantagem , e a usam os, decorria do fato de que para m em bro correspondente os nom es são indicados por acadêm icos de núm ero, brasileiros, ninguém se propõe ou registra a própria candidatura. Josué e eu indicam os o nom e do autor de Tempo de leitura sem de novo o consultar para não ouvir a repetição da negativa. Assim , quase a pulso, Salem a foi eleito por unanim idade para a Academ ia Brasileira de Letras.

Da Bahia, Rosane* m e telefona a notícia: Urbano Tavares Rodrigues acaba de ser eleito para ocupar a vaga de Álvaro, falido no ano passado, estam os em m arço de 1992. Fico contente, Álvaro não teria pensado noutro confrade, se lhe coubesse escolher seu sucessor. O nom e do rom ancista foi lem brado por Luís Forj az Trigueiros, Josué e eu o inscrevem os, Josué acom panhou a eleição com a com petência reconhecida, votação unânim e. Excetuando-se o fato do prim eiro ter sido ensaísta, crítico literário, de ser o outro um criador, autor de contos e rom ances, em tudo o m ais se com param e se assem elham : na discrição e na decência, no am or às letras, na luta contra o fascism o, a guerra e a inj ustiça, Álvaro e Urbano iguais no sonho de um m undo m ais fraterno.

*Rosane Rubim, secretária de J. A.

Bahia, 1972.

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