Navegação de Cabotagem
Rio de Janeiro, 1968.
*Alice, mulher de Floriano Teixeira.
Morou no Ceará onde viveu e conviveu, ninguém de tão boa convivência, fez e desfez na Universidade, fundou Museu, afirm ou-se um dos principais desenhistas brasileiros. Lina Bo Bardi* balizou em 1963 exposição dos desenhos de Floriano no Museu de Arte Moderna da Bahia, ele veio inaugurar a m ostra, ficou de vez e para sem pre. Na Bahia Alice pariu Pedrinho, o caçula, e a pintura desabrochou no atelier do Rio Verm elho, ali labuta o artista na criação quotidiana de beleza.
*Lina Bo Bardi (1914/1992), arquiteta italiana.
Ilustrou livros de alguns am igos, inclusive m eus, deu a Dona Flor a form osura cabo-verde e os m odos serenos de Alice, a secreta sensualidade, deitou-se com Lívia, Gabriela, Tieta e Tereza Batista na rede da im aginação e as reinventou, sou seu devedor.
Na casa da rua Ilhéus recebe com cortesia adm iradores e fregueses, dá corda à conversa, pois é conversador de natureza. A turista m ilionária a quem Lew Sm archewski recom endou com prar quadro de Floriano exam ina as telas e o pintor:
— O senhor é paulista, seu Floriano?
— Eu? Não senhora. Sou m aranhense — responde o índio,
— Se não é paulista por que então parece j aponês?
Rio de Janeiro, 1968.
Os mabaças
O film e de Fernando Sabino e David Neves, A Casa do Rio Vermelho, um dos doze docum entários que a dupla dedicou a escritores brasileiros, tem vinte m inutos de duração dos quais os senhores Cary bé e Dorival Cay m m i desperdiçam uns seis ou sete a dizer m al de m im , o m ocinho da película.
Fernando e David foram à Bahia para a film agem , os dois figurantes não estavam , exibiram -se depois, no Rio. Disseram horrores, que eu fazia e acontecia, inventava e produzia, pintava o diabo, am arrava o bode, criticaram -m e as bengalas, os bonés e o bigode, as cam isas coloridas, as berm udas, as sandálias.
Assisto o film e, vej o os dois com padres fazendo m inha caveira, no entanto sou o terceiro a form ar com eles a trinca dos doutores do povo da Bahia, três obás de Xangô, senhores respeitáveis. Meus dois m abaças, Cay m m i e Cary bé, não m erecem confiança, não são pessoas sérias, línguas de trapo, corações de ouro, a voz e a face da Bahia.
Rio, 1947.
Semelhança