Navegação de Cabotagem
Paris, 1988.
O helicóptero
Aprontei m uitas e boas (boas?) e para todas Zélia buscou e encontrou desculpas nas lim itações do indivíduo que lhe coube por revés da sorte: ignorância, incom petência, im perfeição, tendências, instintos, o caráter do delinquente.
Perdoou-m e todas, m enos um a. Ainda hoj e o tem a do helicóptero do Presidente é tabu, evita-se falar, se o assunto vem à tona provoca m al-estar, riso am argo, m otej o, ranger de dentes. Aconteceu em setem bro, no fascínio do outono, as enferm eiras insurgiam -se em Paris, do autom óvel oficial vim os a m anife im ensa cruzar a ponte sobre o Sena, os cartazes, as faixas, o protesto — sinto-m e solidário, Zélia sussurra-m e sua tentação de descer do carro e j untar-se às celestinas, não consegue resistir a um a boa m anifestação de rua. Helicópteros da polícia, em prevenção e advertência, sobrevoam o cortej o das reivindicações.
Convidados do Presidente da República vam os alm oçar a cerca de cem quilôm etros, no Castelo de propriedade de Thierry de Beauce, na ocasião Secretário de Estado para Assuntos Culturais no Ministério das Relações Exteriores. O que se cham a de alm oço íntim o, poucos convivas, nem pauta de trabalho nem tese a debater, bate-papo ao correr dos vinhos, o branco, o tinto, preciosos am bos. O anfitrião, François Mitterrand, à cabeceira da m esa, em derredor, além do proprietário do Castelo, a editora Ody le Jacob, o escritor Jorge Sem prun, Ministro da Cultura da Espanha, Jorge chegou de Madri especialm ente, Michele Cotta* e o casal de escribas brasileiros.