Navegação de Cabotagem

Jorge Amado · Capítulo 194 de 262

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Navegação de Cabotagem

Rio de Janeiro, 1940.

No m eio da correspondência, cartão-postal de Cary bé: os canais de Veneza, os palácios, as pontes. Leio: Estou sentado na Praça de São Marcos, esta cidade não existe.

Rio de Janeiro, 1940.

Indecisão

Na Cinelândia reencontro Maria a da Pinta no Queixo, vive na Europa, o m arido é diplom ata. Sentam os à m esa de um café, conversam os sobre am igos com uns, recordam os passado recente. A da Pinta no Queixo — a pinta dá-lhe um a graça brej eira — de súbito quer saber:

— Por que você não m e quis? Por que m e desprezou? Fico atônito, eu tanto a quis e desej ei, no Cassino da Urca no j antar com Sam uel e Blum a, eu a cantei, ela revidou com um não tão decisivo que recuei, não insisti: que pensa de mim, sou mulher casada. Relem bro o fato, teria ela esquecido? Não, não esquecera:

— E por que eu teria de dizer sim na prim eira investida? Eu estava doida para te dar m as queria ser conquistada, não era um a putinha para m e atirar correndo ao prim eiro aceno. Que iria você pensar de m im ? Fiquei esperando que voltasses à carga, com o não voltaste im aginei que a cantada não fosse pra valer.

Abri a boca para voltar à carga, levantou-se, anunciou:

— Agora é tarde, viaj o hoj e à noite para Berna. Mesm o que eu quisesse não poderia ser.

Deixa-m e na m esa, antes de dobrar a esquina volta-se, fica parada por um instante com o se à espera, dá adeus com a m ão, desaparece. Dou-m e conta de que a perdi pela segunda vez, devia ter ido atrás dela, afinal eram tão-som ente duas da tarde, sobrava tem po. A pinta no queixo lhe dava um ar m aroto.