Os Miseráveis

Victor Hugo · Capítulo 297 de 359

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Os Miseráveis

VI — Mário desvairado, Javert, lacónico

Chegado aqui, Enjolras calou-se, ou antes, interrompeu-se, porque ficou bulindo com os lábios em silêncio, como se con nuasse falando consigo mesmo, o que fez com que os insurgentes o contemplassem atentos para ainda o ouvirem. Não houve aplausos, porém por muito tempo ficaram uns com outros segredando. A palavra é um sopro; por isso o rumorejar das inteligências é um como rumorejar de folhas.

VI — Mário desvairado, Javert, lacónico

Vejamos o que se passava no espírito de Mário.

Recordemo-nos da situação da sua alma. Como há pouco ainda fizemos ver, aos olhos dele era tudo mera visão. No seu estado, era-lhe impossível qualquer exacta apreciação do que via. Mário, repetimos, achava-se sob a sombra das grandes e tenebrosas asas que se abrem sobre os agonizantes. Sen a-se entrado no túmulo, parecia-lhe que já se achava do outro lado da parede, que já não via os rostos dos vivos senão com os olhos de um morto.

Como é que Fauchelevent ali se achava? Que mo vo o trouxera? Que vinha ali fazer?

Mário nem uma só destas perguntas dirigiu a si mesmo. É que a nossa desesperação tem a par cularidade de envolver os outros tão completamente como a nós mesmos, e por isso Mário achava lógico que todos quisessem morrer.

Pensando, porém, em Cosette, sentiu apertar-se-lhe o coração.

No fim de tudo, o senhor Fauchelevent não lhe falou, não olhou para ele, e até mostrou não o ouvir, quando ele elevou a voz para dizer: