Os Miseráveis

Victor Hugo · Capítulo 73 de 359

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Os Miseráveis

IV — A

Teria sido atacado, aos quarenta e seis anos, de uma loucura suprema? Aquele cocheiro titânico do destino, já não seria mais do que um grandioso quebra-costas?

Não o supomos.

O seu plano de batalha, segundo todos confessam, era uma obra-prima. Ir direito ao centro da linha aliada, fazer uma abertura no inimigo, dividi-lo em dois, impelir a metade britânica sobre Hal e a prussiana sobre Tongres, fazer de Wellington e de Blucher dois troços; tomar o Mont-Saint-Jean, apoderar-se de Bruxelas, lançar o alemão no Reno e o inglês no mar. Napoleão tinha tudo isto nesta batalha. Depois ver-se-ia.

Convém dizer que não pretendemos desenvolver aqui a história de Waterloo; uma das cenas principais do drama que contamos tem ligação com esta batalha, mas a sua história não é o nosso assunto; e depois, é uma história que já se encontra feita, e feita magistralmente, num sen do por Napoleão, e noutro por muitos historiadores (Walter Scott, Lamartine, Vaulabelle, Charras, Guinet, Thiers.).

Quanto a nós, deixamos os historiadores e que se avenham; nós não somos mais do que uma testemunha em distância, um caminhante que passa pela planície, um inves gador inclinado sobre essa terra amassada com carne humana, tomando talvez as aparências como realidades; não temos direito de resis r, em nome da ciência, a um conjunto de factos, em que há decerto miragem, não temos a prá ca militar nem a competência estratégica que autorizam um sistema, segundo a nossa opinião, os dois capitães foram dominados em Waterloo por um encadeamento de acasos; e quando se trata do destino, misterioso acusado, julgamos como o povo, juiz simples e ingénuo.

IV — A