Os Miseráveis

Victor Hugo · Capítulo 83 de 359

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Os Miseráveis

XIV — O último quadrado

Zieten acu lando a França à sua vontade. Os leões tornados cabritos. Tal foi aquela debandada.

Em Genappe houve a tenta va de voltar-se, fazer frente, travar a roda. Lobau reuniu trezentos homens, que se entrincheiraram à entrada da aldeia, porém, à primeira descarga da metralha prussiana, deitou tudo a fugir e Lobau ficou prisioneiro. Ainda hoje se vê o sinal daquela descarga de metralha na empena arruinada de uma casinhola, que fica à direita da estrada, alguns passos para cá de Genappe. Os prussianos arremessaram-se para o lado de Genappe, furiosos decerto por serem tão pouco vencedores. Foi monstruosa aquela avançada no encalço dos inimigos. Blucher ordena o extermínio, porque Roguet dera o lúgubre exemplo de ameaçar com a morte todo o granadeiro francês que lhe trouxesse um prisioneiro prussiano. Blucher excedeu Roguet.

Duhesme, general da guarda nova, encurralado numa estalagem de Genappe, entregou a espada a um hussardo da Morte, que pegou na espada e matou o prisioneiro. A vitória acabou pelo assassínio dos vencidos. Punamos nós, que somos a história: o velho Blucher desonrou-se. Aquela ferocidade pôs o cúmulo ao desbarate. A derrota atravessou, desesperada, Genappe, Quatre-Bras, Grosselies, Frasnes, Thuin, Charleroi, parando só na fronteira. Oh, Deus! E quem é que assim fugia? O grande exército! Acaso não teria um mo vo aquela ver gem, aquele terror, a queda em ruínas daquela bravura, a mais elevada que em tempo algum tenha feito o espanto da história? Teve. Projecta-se sobre Waterloo a sombra de uma recta enorme. Foi o dia do des no. A força que domina o homem foi a que deu aquele dia. Daí a ruga do pavor desenhada nas testas; daí a entrega das espadas por todas essas grandes almas.