Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 12 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

1.6 Análise quantitativa

Comprehensive analytical chemistry; ou Fresenius e Jander, Handbuch der

analytischen Chemie; ou a consulta a um compêndio de métodos, como o

de Meites, Handbook of analytical chemistry; ou, ainda, a monografias

especializadas que tratam de determinadas técnicas ou tipos de material.

Detalhes de procedimentos recomendados para a análise de muitos

materiais são publicados por entidades oficiais, como a Sociedade

Americana de Testes e Materiais (ASTM), o Instituto Inglês de Padrões

(British Standards Institution) e a Comissão Européia. Além disso, uma

pesquisa inicial nos jornais de resumos (Analytical Abstracts, Chemical

Abstracts) dá informações adicionais sobre desenvolvimentos recentes e

sobre procedimentos analíticos específicos. Avaliações gerais de métodos e

resultados estão disponíveis em jornais de revisões, como Annual Reports

of the Chemical Society. E, finalmente, a pesquisa corrente está disponível

em jornais especializados em química analítica (The Analyst e Analytical

Chemistry).

 

1.6 Análise quantitativa

 

As principais técnicas usadas em análise quantitativa baseiam-se (a) na

reprodutibilidade de reações químicas adequadas, seja na medida das

quantidades de reagentes necessárias para completar a reação, seja na

determinação da quantidade de produto obtido na reação; (b) em medidas

elétricas apropriadas (por exemplo, potenciometria); (c) na medida de certas

propriedades espectroscópicas (por exemplo, espectros de absorção); (d) no

deslocamento característico, sob condições controladas, de uma substância

em um meio definido. Algumas vezes, dois ou mais desses princípios

podem ser usados em combinação de modo a se obter a identificação e a

quantificação (a cromatografia com fase gasosa, por exemplo, pode ser

ligada à espectrometria de massas).

O acompanhamento quantitativo das reações químicas é a base dos

métodos tradicionais ou “clássicos” da análise química: gravimetria,

titrimetria e volumetria. Na análise gravimétrica, a substância a ser

determinada é convertida em um precipitado insolúvel que é isolado e pesado. No caso especial da eletrogravimetria, faz-se a eletrólise e pesa-se

o material depositado em um dos eletrodos. Pesagens e trocas de energia

são também importantes em métodos térmicos de análise, nos quais estas

variáveis são registradas em função da temperatura. É possível, por

exemplo, estabelecer condições nas quais secar com segurança um

precipitado de uma determinação gravimétrica. Algumas técnicas comuns

registram um parâmetro em função da temperatura ou do tempo de análise.

A termogravimetria (TG) registra a mudança de peso. A análise térmica

diferencial (DTA) registra a diferença de temperatura entre a substância

que está sendo testada e um material inerte de referência. A calorimetria

diferencial de varredura (DSC) registra a energia necessária para igualar

as temperaturas de uma substância sob teste e um material de referência.

Na análise titrimétrica (às vezes chamada de análise volumétrica) trata-

se a substância a ser determinada com um reagente adequado, adicionado

na forma de uma solução padronizada, e determina-se o volume de solução

necessário para completar a reação. As reações titrimétricas comuns são a

neutralização (reações ácido–base), a complexação, a precipitação e as

reações de oxidação–redução. Na volumetria mede-se o volume de gás

desprendido ou absorvido em uma reação química.

Os métodos elétricos de análise (que não a eletrogravimetria)

compreendem a medida da variação da corrente, da voltagem ou da

resistência em função da concentração de certas espécies em solução. As

técnicas elétricas incluem a voltametria (medida da corrente que atinge um

microeletrodo sob uma voltagem específica), a coulometria (medida da

corrente e do tempo necessário para completar uma reação eletroquímica ou

para gerar material suficiente para reagir completamente com um reagente

específico) e a potenciometria (medida do potencial de um eletrodo em

equilíbrio com um íon a ser determinado).

Os métodos espectrométricos de análise dependem da medida da

quantidade de energia radiante com um determinado comprimento de onda

que é absorvida ou emitida pela amostra. Os métodos de absorção são

usualmente classificados de acordo com o comprimento de onda da luz

envolvida como espectrometria no visível, no ultravioleta ou no infravermelho. A espectrometria no visível é, às vezes, chamada de

colorimetria. Além dessas técnicas cabe mencionar o uso crescente da

espectroscopia de ressonância magnética nuclear na análise quantitativa

de compostos orgânicos.

A espectroscopia de absorção atômica envolve a atomização da

amostra, com freqüência borrifando uma solução contendo a amostra em

uma chama e estudando a absorção de radiação proveniente de uma

lâmpada elétrica que produz o espectro do elemento a ser determinado. Os

métodos turbidimétricos e nefelométricos medem quantidade de luz

retida ou espalhada por uma suspensão. Esses métodos não são estritamente

métodos de absorção mas merecem ser aqui mencionados.

Os métodos de emissão submetem a amostra a um tratamento térmico ou

elétrico que leva os átomos a estados excitados, que emitem energia. A

intensidade da energia emitida é, então, medida. Algumas das técnicas de

excitação mais comuns são a espectroscopia de emissão, em que se

submete a amostra a um plasma acoplado por indução e examina-se a luz

emitida, que pode chegar ao ultravioleta; a fotometria de chama, em que

se usa uma solução da amostra injetada em uma chama; e a fluorimetria,

em que se excita uma substância adequada em solução (comumente um

reagente metálico fluorescente) usando radiação ultravioleta ou visível.

Os métodos cromatográficos e eletroforéticos são métodos de

separação de misturas de substâncias que podem ser adaptados para a

identificação dos componentes das misturas. Os detectores modernos

permitem o uso das cromatografias e da eletroforese para determinações

quantitativas.

Na espectrometria de massas, o material a ser analisado é vaporizado

sob alto vácuo e o vapor é submetido a um feixe de elétrons de alta energia.

Muitas moléculas do vapor se fragmentam com produção de íons de

tamanho e carga variados. Esses íons são identificados por aceleração em

um campo elétrico e deflexão em um campo magnético, de acordo com sua

razão massa/carga (m/ze), detectados e registrados. Cada tipo de íon dá um

sinal no espectro de massas. Materiais inorgânicos não-voláteis podem ser

examinados por vaporização com uma descarga elétrica de alta voltagem.