Vogel: Análise Química Quantitativa
10.7 Princípios da titulação potenciométrica
5. A substância deve ser facilmente solúvel nas condições de trabalho. 6. A reação com a solução padrão deve ser estequiométrica e praticamente instantânea. O erro
de titulação deve ser desprezível ou poder ser facilmente determinado experimentalmente com acurácia.
Na prática, é difícil obter um padrão primário ideal. É necessário, normalmente, um compromisso entre os requisitos ideais. As substâncias comumente empregadas como padrões primários são:
Reações ácido–base: carbonato de sódio, Na 2CO3, tetraborato de sódio, Na2B4O7,
hidrogenoftalato de potássio, KH(C8H4O4) e hidrogenoiodato de potássio, KH(IO3)2. Reações de formação de complexos: metais puros (por exemplo, zinco, magnésio, cobre e
manganês) e sais, dependendo da reação usada.
Reações de precipitação: prata, nitrato de prata, cloreto de sódio, cloreto de potássio e
brometo de potássio.
Reações de oxidação-redução: dicromato de potássio, K2Cr2O7, bromato de potássio, KBrO3,
iodato de potássio, KIO3, hidrogenoiodato de potássio, KH(IO3)2, oxalato de sódio, Na2C2O4,
óxido de arsênio(III), As2O3, e ferro.
Os sais hidratados não são, em geral, bons padrões. Isto se deve à dificuldade de secá-los eficientemente. Os sais que não eflorescem, como o tetraborato de sódio, Na2B4O7·10H2O, e o sulfato de cobre, CuSO4·5H2O, entretanto, são, na prática, usados como padrões secundários satisfatórios [2].
Um padrão secundário é um composto que pode ser usado nas padronizações e cujo teor de substância ativa foi determinado por comparação contra um padrão primário. Em outras palavras, uma solução padrão secundária é aquela em que a concentração do soluto dissolvido não foi determinada por pesagem do composto dissolvido, mas pela titulação de um volume da solução com um volume conhecido de uma solução padrão primária.
Como os métodos potenciométricos, coulométricos e amperométricos são amplamente empregados em análise titrimétrica, é essencial incluir uma introdução à teoria básica destes
métodos. O Cap. 13 dá uma visão geral dos modelos de eletrodos usados para esta finalidade.
10.7 Princípios da titulação potenciométrica
Em uma titulação potenciométrica, o potencial do eletrodo indicador é medido em função do volume de titulante adicionado. O ponto de equivalência da reação é reconhecido pela mudança súbita do potencial observada no gráfico das leituras de f.e.m. contra o volume de solução titulante. Qualquer método capaz de detectar esta alteração brusca do potencial pode ser usado. Um dos eletrodos deve permanecer em potencial constante, não necessariamente conhecido. O outro eletrodo, que indica as mudanças de concentração iônica, deve ter resposta rápida. A solução que contém o analito deve ser agitada ao longo da titulação.
A Fig. 10.1 mostra o esquema de uma montagem simples para a titulação potenciométrica manual. A é um eletrodo de referência (por exemplo, um eletrodo de calomelano saturado) e B é o eletrodo indicador. A solução a ser titulada é normalmente colocada em um bécher provido de um agitador magnético. Quando é necessário excluir o ar ou o dióxido de carbono atmosférico, aconselha-se o emprego de um balão de três ou quatro bocas, adaptado de modo a permitir o borbulhamento de nitrogênio na solução antes e durante a titulação.