Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 183 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

10.19 Titulação amperométrica com eletrodo de mercúrio gotejante (DME)

Pode-se construir uma célula de titulação excelente e de baixo custo com um balão de três

bocas de 100 ml e fundo chato ou redondo, a que se solda uma quarta entrada. A Fig. 10.6(a) mostra um esquema da montagem completa. A bureta (de preferência semimicro, graduada em 0,01 ml), o eletrodo gotejante, um tubo de admissão de gás com duas vias (que permite a passagem de nitrogênio pela solução e pelo volume livre acima da superfície da solução) e uma ponte salina de ágar–ágar e cloreto de potássio (que não está na figura) são montados nas quatro bocas do balão por meio de rolhas de borracha. A ponte de ágar–sal de potássio liga-se, através de um frasco intermediário (pode-se usar um pesa-filtro) que contém uma solução saturada de cloreto de potássio, a um eletrodo de calomelano saturado de tamanho grande. A ponte de ágar–sal de potássio é feita com um gel que contém 3% de ágar–ágar e cloreto de potássio suficiente para saturar a solução na temperatura normal. Se os íons cloreto interferirem na titulação, faz-se a ligação com uma ponte salina de ágar e nitrato de potássio. O circuito

elétrico simples da Fig. 10.6(b) é apropriado para este fim. A voltagem aplicada à célula de titulação é fornecida por duas pilhas secas de 1,5 V e controlada pelo divisor de tensão R (um resistor variável que opera na faixa de 50–100 Ω). A voltagem é medida pelo voltímetro digital V. A corrente é lida no microamperímetro M.

Não é essencial o controle termostático se a célula for mantida em temperatura razoavelmente constante durante a titulação. Há vantagens em armazenar o reagente sob atmosfera de gás inerte. Esta precaução não é absolutamente necessária se a concentração da solução de reagente for 10 a 20 vezes maior do que a concentração da solução a ser titulada e se ela for adicionada por meio de uma bureta semimicro. Se o soluto for eletrorredutível, deve-se adicionar eletrólito suficiente para eliminar a corrente de migração. Se o reagente for eletrorredutível, mas não o soluto, a adição do eletrólito de suporte não é normalmente necessária porque se forma, durante a titulação, eletrólito suficiente para eliminar a corrente de migração além do ponto final. Pode ser necessário adicionar um supressor de máximos adequado como a gelatina. Se as características polarográficas do soluto e do reagente não forem conhecidas, deve-se determinar a curva da corrente contra a voltagem de cada um deles no meio em que a titulação vai ser conduzida. A voltagem aplicada é então ajustada no início da titulação a um valor que permita a determinação da corrente de difusão do soluto desconhecido, do reagente ou de ambos. Freqüentemente, o intervalo de voltagem é comparativamente grande e, em conseqüência, não se precisa ter grande exatidão no ajuste da voltagem aplicada.