Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 349 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

13.31 Efeito do oxigênio

concentração conhecida da solução adicionada e o volume da solução após

a adição. Se I 1 é a corrente de difusão observada (equivalente à altura da

onda) da solução desconhecida de volume V ml e concentração Cu, e se I2 é a corrente de difusão observada após a adição de v ml da solução padrão de

concentração Cs, então, de acordo com a equação de Ilkovic, tem-se

 

I 1 = kCu

 

e

 

I 2 = k(VCu + vCs)/(V + v)

 

Assim,

 

k = I 2(V + v)/(VCu + vCs)

 

e

 

A acurácia do método depende da precisão com que são medidos os dois

volumes de solução e as correntes de difusão correspondentes. O material

adicionado deve estar contido em um meio com a mesma composição usada

para o eletrólito de suporte, para que este último não se altere na adição.

Faz-se a hipótese de que a altura da onda é uma função linear da

concentração na faixa de concentração utilizada. Aparentemente, os

melhores resultados são obtidos quando a altura da onda dobra com a

adição do volume conhecido da solução padrão.

 

13.31 Efeito do oxigênio

 

Para a análise quantitativa com a aparelhagem da Fig. 13.11, é preciso que a

concentração da espécie eletroativa seja da ordem de 10 –3 –4 a 10 M e o

volume total da amostra esteja entre 2 e 25 ml. É possível, com células especiais, dosar quantidades 10 vezes maiores ou menores, em volumes

menores do que 1 ml. Para isso, porém, deve-se eliminar o oxigênio

dissolvido na solução. A razão é que o oxigênio dissolvido nas soluções

eletrolíticas se reduz facilmente no eletrodo de mercúrio gotejante,

produzindo um polarograma que mostra duas ondas de alturas

aproximadamente iguais que se estendem por uma faixa considerável de

voltagem. A posição das ondas depende do pH da solução: em meio básico

elas se deslocam para voltagens mais altas. A concentração de saturação de

soluções em água pelo oxigênio do ar é, na temperatura normal, da ordem

de 2,5 × 10 –4 M, logo, seu comportamento polarográfico é de importância

prática considerável. A Fig. 13.4 (curva A) mostra um polarograma típico

de uma solução de cloreto de potássio 1 M (na presença de vermelho de

metila 0,01%) saturada com ar.

A primeira onda (começando em cerca de –0,1 V em relação ao eletrodo

de calomelano saturado) deve-se à redução do oxigênio a peróxido de

hidrogênio:

 

O – + 2H O + 2e = H O + 2OH (solução neutra ou alcalina)

2 2 2 2

 

O + + 2H + 2e = H O (solução ácida)

2 2 2

 

A segunda onda é atribuída à redução do peróxido de hidrogênio a íons

hidróxido ou à água:

 

H – O + 2e = 2OH (solução alcalina)

2 2

 

H + O + 2H + 2e = 2H O (solução ácida)

2 2 2

 

Pode-se remover facilmente o oxigênio borbulhando um gás inerte

(nitrogênio ou hidrogênio) na solução por 10 a 15 minutos antes de

determinar a curva corrente–voltagem. A Fig. 13.14 (curva B) foi obtida

após a remoção do oxigênio com nitrogênio livre de oxigênio obtido de um

cilindro de gás comprimido. Interrompa o fluxo de gás cerca de um minuto

antes da medida para evitar o efeito da agitação sobre a formação das gotas de mercúrio e sua influência sobre a corrente de difusão perto do eletrodo.