Vogel: Análise Química Quantitativa
9 Cromatografia com fase gasosa
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Cromatografia com fase gasosa
9.1 Introdução
Na cromatografia com fase gasosa, separa-se uma mistura em seus componentes fazendo-se mover um gás sobre um adsorvente estacionário. O método é semelhante à cromatografia líquido–líquido, exceto que a fase líquida móvel é substituída por uma fase gasosa móvel. Somente duas possibilidades existem. Ou a fase estacionária é um sólido ou um líquido. Isto limita os mecanismos de separação à adsorção e à partição, ambos os quais são muito usados na cromatografia com fase gasosa. Originalmente se distinguiam dois tipos de cromatografia com fase gasosa, a cromatografia gás/líquido e a cromatografia gás/sólido. Hoje, não se faz a distinção e esta terminologia foi substituída pelo termo cromatografia com fase gasosa (CG), mais simples e mais satisfatório.
Os primeiros experimentos que podem ser classificados como CG foram feitos por
Martin e James em 1951 para a separação de ácidos graxos de baixo peso molecular [1]. O mecanismo de separação usado era a partição e o procedimento foi descrito por Martin e colaboradores como cromatografia de partição gás–líquido (GLPC). O desenvolvimento rápido da técnica deveu-se ao fato de que a maior parte da teoria já havia sido desenvolvida uma década antes por Martin e Synge para descrever a cromatografia de partição em fase líquida [2]. Muitos cientistas perceberam logo o potencial da partição em fase gasosa para resolver problemas de separação de sistemas complexos e o desenvolvimento do trabalho nesta direção foi rápido nos laboratórios da ICI, da British Petroleum e da Shell. O primeiro cromatógrafo comercial chegou ao mercado em 1955 e, hoje, a cromatografia com fase gasosa é uma das técnicas de separação mais utilizadas nos laboratórios analíticos.
A cromatografia com fase gasosa desenvolveu-se de tal modo que hoje é possível
separar misturas complexas contendo até 200 compostos muito semelhantes, usando partição ou adsorção, em amostras muito pequenas, mas a técnica tem suas limitações. A amostra tem de ser analisada em fase gasosa e, portanto, os analitos têm de ser voláteis. Isto inclui substâncias que têm uma pressão de vapor apreciável até cerca de 400°C. Significa, também, que os materiais não-polares são mais fáceis de tratar do que os polares e que materiais iônicos não podem ser separados por cromatografia com fase gasosa. Estas limitações reduzem a 20% dos produtos químicos conhecidos aqueles que podem ser analisados por esta técnica.