Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 468 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

19.3 Sistemas de admissão da amostra

Muitos espectrômetros de massas têm bombeamento diferencial, que

permite que certas partes do sistema sejam evacuadas rapidamente ou sejam

mantidas em pressões diferentes das do sistema principal. Este é o caso

quando se usa fontes de ionização química (CI), deliberadamente operadas

em pressões de até 1 atmosfera (100 kPa) com o analisador de massas do

espectrômetro sob pressões da ordem de quatro ou cinco ordens de

magnitude menor. A maior parte dos espectrômetros comerciais tem

sistemas de bombeamento controlados por computador capazes de manter o

vácuo apropriado no espectrômetro através de uma série de ligações e

válvulas, evitando assim que o operador destrua o vácuo por engano e cause

danos ao sistema. Este arranjo permite que partes do espectrômetro sejam

expostas ao ar, para a introdução da amostra ou a troca da fonte de íons, por

exemplo, sem perder o vácuo principal do sistema.

 

19.3 Sistemas de admissão da amostra

 

Os primeiros espectrômetros de massas analisavam principalmente gases e

vapores ou líquidos muito voláteis. A amostra era introduzida no

espectrômetro através de um dispositivo que tinha uma série de aberturas

para a manutenção do vácuo e reservatórios que podiam chegar a até 5 litros

de capacidade, e que era ligado ao espectrômetro de massas por um “filtro

molecular” que permitia a passagem, de cada vez, de pequenas quantidades

de material para a fonte, mantendo, assim, o vácuo adequado na câmara da

fonte. O filtro molecular era feito com uma folha de ouro com um furo de

diâmetro muito pequeno ou com um disco de vidro sinterizado. O sistema

de admissão da amostra podia eventualmente ser aquecido e era feito quase

totalmente de vidro para reduzir problemas de reação química e de adsorção

que poderiam ocorrer em superfícies metálicas. Estes sistemas de admissão

de amostra feitos em vidro e aquecidos (AGHIS) não permitem a análise de

materiais sólidos, exceto quando eles têm alta pressão de vapor, ou de

misturas. Hoje em dia eles não são muito usados, exceto em casos especiais

como o dos experimentos de razão isotópica 12 13 C/C (como CO ). Quando

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necessário, os líquidos podem ser introduzidos com uma seringa

hipodérmica com o auxílio de um dispositivo simples que tem um septo. Esse dispositivo é muito menor e mais fácil de evacuar para eliminação da

amostra do que o AGHIS. Pode-se usar esse dispositivo, também, para

introduzir materiais para calibração.

 

Tabela 19.2 Tipos de massas usadas na espectrometria de massas

 

Carbono Hidrogênio Nitrogênio Oxigênio Cloro

 

Massa 12 1 14 16 35,5

nominal

 

Massa 12,011 1,008 14,007 15,994 35,453

atômica

 

Massa exata 12 1 14 16 35 C 12,000 H 1,008 N 14,003 OCl

15,995 34,969

 

13 2 15 18 37 C 13,003 H 2,014 N 15,000 OCl

17,999 36,959

 

Fig. 19.2 Diagrama de blocos de um espectrômetro de massas

Materiais, sólidos ou líquidos, podem ser introduzidos na câmara da

fonte de íons por inserção direta (Fig. 19.3). O dispositivo para isto tem na

ponta um pequeno recipiente para a amostra, usualmente um tubo capilar de

sílica, que pode ser removido e no qual se coloca ou se deposita alguns

microgramas da amostra. O dispositivo é introduzido na câmara da fonte de

íons através de um selo de vácuo até ficar a alguns milímetros do feixe de

íons. Nesta posição, a câmara pode ser aquecida em condições controladas

para evaporar a amostra sem que ocorra decomposição apreciável. Alguns

destes dispositivos de introdução da amostra podem ser aquecidos até

temperaturas superiores a 800°C e podem ser programados para permitir a

separação de misturas simples.

Uma modificação do dispositivo de introdução direta é o dispositivo de

dessorção por ionização química (DCI), que tem na ponta um filamento de

platina que pode ser aquecido rapidamente até altas temperaturas (até a

incandescência). Com o aumento da temperatura, a substância evapora e se

ioniza parcialmente. Pode-se obter com esta técnica espectros de massas

aceitáveis de materiais de peso molecular alto, polares ou instáveis

termicamente, difíceis de obter com outras técnicas de ionização [2]. Como

o filamento é aquecido ao rubro, ele fica limpo. Existe um sistema

comercial automatizado que usa este princípio para operar até 100 amostras.

Este tipo de dispositivo de introdução é muito útil nas indústrias

farmacêutica e de polímeros.

A variedade e complexidade dos tipos de amostras que podem ser

examinados por espectrometria de massas aumenta rapidamente e isto exige

a melhoria constante dos sistemas de admissão de amostras. Algumas novas

fontes de ionização, como MALDI-TOF, APCI, Frit-FAB e LSIMS, foram

recentemente desenvolvidas para materiais de alto peso molecular não

voláteis e sensíveis ao calor. Seu uso, entretanto, exige técnicas especiais de

preparação e manuseio das amostras que serão descritas adiante. Misturas

complexas devem ser, freqüentemente, separadas antes da obtenção do

espectro e se utiliza para este tipo de problema cada vez mais a

espectrometria de massas associada a outras técnicas como cromatografia a

gás e HPLC. Estes sistemas associados têm exigências especiais para a introdução da amostra, como vimos para a cromatografia a gás e HPLC,