Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 472 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

19.7 Manipulação dos dados

ou mais conjuntos um após o outro. A vantagem é que o arranjo permite o

controle de cada canal independentemente dos demais, isto é, o

acompanhamento simultâneo de íons de massas diferentes que atingem

partes diferentes do detector, sem necessidade da varredura de m/z. Estes

dispositivos são equivalentes, em termos de elétrons, aos conjuntos de

diodos que tiveram tanta importância no desenvolvimento da

espectroscopia óptica.

 

19.7 Manipulação dos dados

 

Hoje, quase todos os espectrômetros de massas utilizam computadores no

controle de algumas funções do instrumento e para mostrar e registrar os

dados recolhidos. O número de sistemas de manipulação de dados

existentes e sua complexidade tornam um desafio a escolha de um

espectrômetro de massas, já que de 30 a 80% do custo do equipamento

corresponde a estes sistemas. O sistema de manipulação dos dados pode ser

baseado em computadores pessoais, em estações de trabalho, mais caras, ou

em um computador dedicado que contém um certo número de

processadores, cada um executando uma tarefa específica. O programa do

computador é geralmente desenhado para um instrumento em particular e,

além de registrar o espectro, deve ser capaz de controlar todos os

parâmetros normais de operação. Ele pode, ainda, funcionar como interface

para o sistema de gerência de informações do laboratório (LIMS). Seja qual

for o caso, muito provavelmente o sistema estará obsoleto assim que for

adquirido. A quantidade de informações geradas por um espectrômetro,

mesmo modesto, é muito grande. Uma corrida simples pode exigir a

digitalização e arquivamento de informações de até 100 fragmentos para

cada tipo de molécula. No caso de análises CG-MS ou HPLC-MS, um

espectro de massas completo é gerado e arquivado a cada segundo durante

até 90 minutos. É óbvio que é necessário reduzir a quantidade de dados ou o

nível de processamento para que o analista possa utilizar eficientemente o

material e, para isso, muitos sistemas permitem a escolha do formato de

saída dos dados.

O formato de saída mais comum é o espectro de massas na forma

normalizada (Fig. 19.1). Neste tipo de formato, o pico mais intenso, o pico

base, corresponde à intensidade 100 ou 1000 e a este pico são relacionados

todos os demais picos. Embora muito usado e de muita utilidade, este

formato tem seus problemas. O primeiro é que o eixo das massas deve ser

calibrado para dar as massas corretas — freqüentemente com picos bem

conhecidos e bem-definidos de um material padrão, como o perfluoro-

querosene (PFK), por exemplo. Se isso não for feito, as massas observadas

na análise podem estar uma ou mais unidades acima ou abaixo da massa

correta, o que pode levar a problemas sérios durante a interpretação. Em

segundo lugar, se a intensidade do pico base não for medida corretamente,

as intensidades de todos os demais picos não estarão corretas. É, às vezes,

preferível usar um formato diferente, em que a intensidade de cada pico é

uma função da corrente total de íons em uma faixa de massas definida. Em

ambos os formatos, a listagem dos picos na forma de tabela pode ser

facilmente obtida.

A faixa dinâmica do sistema total pode chegar até seis ordens de

magnitude, e como o formato de saída descrito anteriormente corresponde a

uma faixa bastante restrita — o eixo de intensidades está entre zero e 1000

e o eixo de massas utiliza freqüentemente saltos de 50 a 500 unidades —

pode-se, às vezes, perder (ou não observar) informações importantes. Picos

de intensidade baixa que podem ser quimicamente importantes para

estabelecer as seqüências de fragmentação, por exemplo, deixam de ser

registrados se tiverem intensidade abaixo de um determinado limite. Os

íons de carga múltipla, que podem aparecer em massas fracionárias, podem

não ser, também, registrados e a informação perdida. Os espectros

normalizados são extremamente úteis para a comparação com espectros

obtidos por analistas que trabalham na mesma área, mas usam

espectrômetros diferentes, em diferentes lugares do mundo, ou nas buscas

em bibliotecas de espectros comerciais [7]. Várias destas bibliotecas têm

mais de 80 000 espectros de massas armazenados em um formato capaz de

ser lido pelos computadores e os programas são, em geral, capazes de

comparar rapidamente o espectro da substância que está sendo analisada com os espectros depositados nas bibliotecas e de identificar uma série de

possíveis compostos.

Muitos programas de computador permitem que o espectroscopista faça

uma busca preliminar, pelo nome do composto, pela fórmula ou pelo

número do Chemical Abstracts (CAS), para reduzir o número de

comparações inadequadas. Uma alternativa é utilizar a busca inversa, na

qual alguns espectros conhecidos são comparados com os dados que estão

sendo gerados. Este processo é, obviamente, muito mais rápido do que a

busca convencional. Atualmente, a maior parte destes programas baseia-se

na comparação da distribuição de massas e intensidades, sem usar restrições

“químicas” para limitar as possibilidades.

Além de seu papel essencial de recolhimento e manipulação dos dados,

normalmente, o computador também controla o espectrômetro. Isto permite

que se façam varreduras rápidas e repetitivas no modo CG-MS ou que se

possa utilizar técnicas mais elaboradas, tais como, por exemplo, o

acompanhamento de íons simples e múltiplos (SIM). Nesta técnica, o

espectrômetro acompanha um certo número de massas escolhidas

arbitrariamente, sem fazer a varredura habitual. Como o detector passa mais

tempo observando os íons de interesse do que o faria na varredura normal, a

sensibilidade aumenta, freqüentemente por um fator de até 1000. Este

procedimento é muito usado na análise de traços por CG-MC e HPLC-MS,

em que o limite de detecção necessário é, em geral, consideravelmente mais

baixo do que o que é obtido com os detectores convencionais de CG e

HPLC.

Na medida em que aumenta a capacidade de processamento dos

computadores, a manipulação dos dados fica mais fácil. Hoje em dia,

muitos dos programas de computador permitem a tomada da média

espectral de várias varreduras para reduzir o ruído elétrico. A subtração da

linha de base permite reduzir os efeitos de pequenas quantidades de

contaminantes sobre o espectro. Neste caso, o espectro obtido sem nenhuma

amostra na fonte de íons é subtraído do espectro da amostra para remover

sinais devidos à linha de base. Se o computador é rápido e tem capacidade

suficiente, ele pode ser usado para executar várias tarefas simultaneamente, um processo conhecido como linha de frente/retaguarda. Dados