Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 381 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

15.7 Técnica de vaporização a frio e geração de hidreto

Existem vários métodos para reduzir níveis inaceitavelmente elevados do

ruído de fundo. Um deles é por diluição da amostra, outro é pela seleção de

uma raia de ressonância de comprimento de onda mais longo. O uso de um

modificador de matriz, entretanto, é o método mais usado para reduzir os

efeitos do ruído de fundo. A modificação da matriz é feita por adição de um

reagente à amostra que altera o comportamento da matriz ou do analito.

Existem três razões principais para o uso de um modificador de matriz:

 

(a) Estabilizar o analito durante a etapa de mineralização.

(b) Converter a matriz interferente em um composto volátil que é

removido durante a mineralização.

(c) Estabelecer condições isotérmicas no tubo de grafite, retardando a

atomização do analito.

 

Recentemente, desenvolveu-se uma técnica denominada atomização de

sonda de grafite [4]. A amostra é automaticamente injetada na sonda,

dentro da cubeta de grafite, onde é seca e transformada em cinza. O

espectrômetro é, então, automaticamente zerado, a sonda é removida da

cubeta e o forno é aquecido até a temperatura pré-fixada de atomização.

Quando a temperatura se estabiliza, a sonda é novamente colocada na

cubeta, em temperatura constante. Este procedimento permite a atomização

isotérmica e a medida analítica. O uso desta técnica reduz a necessidade da

modificação da matriz e o melhor controle da contaminação da amostra.

É preciso tomar grande cuidado no preparo das amostras para GFAAS.

Pode ocorrer contaminação proveniente da vidraria ou das pipetas aferidas.

Todas as soluções devem ser preparadas para o uso no mesmo dia.

 

15.7 Técnica de vaporização a frio e geração de hidreto

 

A técnica de vaporização a frio limita-se estritamente à determinação de

mercúrio [5], que no estado elementar tem pressão de vapor apreciável na

temperatura normal, isto é, a quantidade de átomos na fase gás é suficiente

e não há necessidade de tratamentos especiais. Como método para a

determinação de mercúrio, o procedimento envolve a redução de um composto de mercúrio(II) com boro-hidreto de sódio ou, mais comumente,

com cloreto de estanho(II), para formar mercúrio elementar:

 

Hg 2+ 2+ + Sn Hg + Sn (IV)

 

A Fig. 15.6 mostra esquematicamente a aparelhagem apropriada. O vapor

de mercúrio é removido do frasco de reação por uma corrente de argônio

que borbulha na solução e passa pelo tubo de absorção.

O aparelho pode ser adaptado para os chamados métodos de geração de

hidreto (são métodos que utilizam uma chama). Elementos como arsênio,

antimônio e selênio são de análise difícil por AAS de chama devido à

dificuldade de redução dos compostos destes elementos (especialmente os

que estão nos estados de oxidação mais elevados) ao estado atômico

gasoso.

Embora se possa aplicar os métodos eletrotérmicos de atomização à

determinação de arsênio, antimônio e selênio, prefere-se comumente a

técnica da geração de hidretos. Os compostos destes três elementos podem

ser convertidos a hidretos voláteis com boro-hidreto de sódio como agente

redutor. O hidreto formado dissocia-se a um vapor atômico nas

temperaturas relativamente moderadas da chama de ar–acetileno.

Fig. 15.6 Aparelhagem para a redução de compostos de mercúrio(II)

 

A seqüência de reações pode ser representada, no caso do arsênio, por

 

A aparelhagem adicional necessária está indicada na Fig. 15.6 pelas linhas

tracejadas.

Observe que o método da geração de hidreto também pode ser aplicado à

determinação de outros elementos que formam hidretos covalentes voláteis

que se dissociam termicamente com facilidade. Por isso, o método da

geração de hidreto também tem sido usado na determinação de chumbo,

bismuto, estanho e germânio.

A Fig. 15.7 mostra o esquema de um sistema de fluxo contínuo de vapor,

o Thermo-Unicam VP90. No lado direito, os dois reservatórios contendo

boro-hidreto de sódio e um ácido (branco), respectivamente, são ligados por

uma bomba peristáltica a uma região de reação por onde passa uma corrente contínua de gás. Durante a análise, a válvula solenóide muda do branco

(ácido) para a amostra após um tempo pré-fixado e retorna

automaticamente ao branco após a medida analítica. Os gases resultantes e

as soluções são dirigidos a um separador gás-líquido com coletor em forma

de U, que drena o líquido automaticamente para o rejeito (lado direito do

diagrama). O hidreto é arrastado pela corrente de gás (nitrogênio ou

argônio) para a célula atomizadora pré-aquecida. A atomização é

normalmente feita em uma célula de sílica aquecida por uma chama (ar–

acetileno).

A principal vantagem do princípio do fluxo contínuo é o sinal estável

produzido. Isto permite o uso da integração do sinal em vez da altura do

pico ou das leituras de área que eram feitas anteriormente, aumentando

consideravelmente a precisão da medida. Outra vantagem é que o frasco de

reação é limpo automaticamente entre as análises, o que permite a leitura

contínua sem a necessidade de desmontar e lavar o sistema. Existe um

acessório, o forno EC90, que atomiza o hidreto por aquecimento elétrico da

célula de sílica. O aquecimento elétrico da célula de atomização leva a uma

sensibilidade consideravelmente maior do que o aquecimento com chama.