Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 43 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

2.26 Complexonas

substituição das moléculas de água coordenadas com Cr(III) por outros

ligantes é um processo muito lento na temperatura normal.

Ser inerte ou lábil depende de muitos fatores, mas as seguintes

observações são um guia conveniente do comportamento dos complexos

dos vários elementos:

 

1. Os elementos do grupo principal formam usualmente complexos lábeis.

2. Com a exceção de Cr(III) e Co(III), a maior parte dos elementos de

transição da primeira linha forma complexos lábeis.

3. Os elementos de transição da segunda e terceira linhas tendem a formar

complexos inertes.

 

Para uma discussão mais completa dos tópicos a que nos referimos nesta

seção, consulte um livro-texto de química inorgânica[4] ou um livro-texto

especializado em complexos.[2]

 

2.26 Complexonas

 

A formação de uma espécie complexa única, sem que haja a formação

progressiva de várias espécies, simplifica as titulações complexométricas e

facilita a detecção dos pontos finais. Schwarzenbach[2] descobriu que o íon

acetato é capaz de formar complexos acetato de baixa estabilidade com

quase todos os cátions polivalentes e que, se esta propriedade pudesse ser

reforçada pelo efeito quelato, poder-se-ia obter complexos muito mais

fortes com a maior parte dos cátions metálicos. Ele descobriu que ácidos

aminopolicarboxílicos são excelentes agentes de complexação. O mais

importante dentre eles é o ácido 1,2-diamino-etanotetraacético (ácido

etilenodiaminotetraacético). A fórmula [2.A] deve ser usada de preferência

à fórmula [2.B] porque, como já se demonstrou pela medida das constantes

de dissociação, dois dos átomos de hidrogênio estão provavelmente na

forma de “zwitterions” (ou íons duplos). Os valores de pK são,

respectivamente, pK1 = 2,0, pK2 = 2,7, pK3 = 6,2 e pK4 = 10,3, em 20°C. Estes valores sugerem que o composto comporta-se como um ácido dicarboxílico com dois grupos fortemente ácidos e que existem dois

hidrogênios em grupos amônio, o primeiro ionizando-se em pH de cerca de

6,3 e o outro em pH de cerca de 11,5. Vários nomes triviais são utilizados

para o ácido etilenodiaminotetraacético e seus sais de sódio, inclusive

Trilon B, Complexona III, Sequestreno, Verseno e Quelação 3. O sal de

dissódio é o mais comumente usado na análise titrimétrica. Para evitar o uso

constante de um nome longo constuma-se abreviar o sal de dissódio pela

sigla EDTA.

Outros agentes complexantes (complexonas) são também utilizados. Eles

incluem o ácido nitrilotriacético [2.C], também chamado NITA, NTA ou

Complexona I (pK1 = 1,9, pK2 = 2,5, pK3 = 9,7), o ácido trans-1,2-diamino-ciclo-hexano-N, N, N′, N′-tetraacético [2.D], que deveria ser

preferencialmente escrito como uma estrutura de íon duplo (“zwitterion”)

como [2.A] (o nome abreviado é CDTA, DCyTA, DCTA ou Complexona

IV), o ácido 2,2′-etilenodióxi-bis(etil-imino-diacético) [2.E], também

conhecido como ácido etilenoglicol-bis(2-aminoetil-éter)-N, N, N′, N′-

tetraacético (EGTA), e o ácido trietilenotetraamino-N, N, N′, N″, N″′, N″′-

hexaacético (TTHA) [2.F]. CDTA forma, com freqüência, complexos

metálicos mais fortes do que EDTA e pode ser utilizado em análises, porém

os complexos metálicos formam-se mais lentamente do que com EDTA, o

que faz com que a determinação do ponto final da titulação fique um pouco

mais difícil. EGTA é aplicado principalmente na determinação de cálcio em

misturas de cálcio e magnésio e é provavelmente superior a EDTA na

titulação de cálcio e magnésio na dureza da água (Seção 10.76). TTHA

forma complexos na razão 1:2 com muitos cátions trivalentes e com alguns

metais divalentes e pode ser usado na determinação de componentes em misturas de certos íons, sem necessidade do uso de reagentes de

mascaramento (Seção 10.64).

EDTA, entretanto, é mais utilizado em análises porque é um poderoso

agente complexante e é facilmente obtido comercialmente. A estrutura

espacial do ânion, com 6 átomos doadores de elétrons, permite satisfazer o

número de coordenação seis freqüentemente encontrado nos íons metálicos

e formar na quelação anéis de cinco átomos que têm pouca tensão. Os

complexos resultantes têm estruturas semelhantes mas diferem nas cargas.

Para simplificar a discussão a seguir, usamos para EDTA a fórmula H4Y.

O sal de dissódio é, portanto, Na2H2Y, e em água forma-se o íon complexante H 2– Y, que reage com metais na razão 1:1. As reações com

2

cátions como, por exemplo, M2+, podem ser escritas como

 

No caso de outros cátions, as reações podem ser escritas como

 

Um mol do íon complexante H 2– Y reage com um mol do íon do metal e

2

formam-se dois moles de íons hidrogênio. A reação [2.12] mostra que a

dissociação do complexo é controlada pelo pH da solução: o abaixamento

do pH diminui a estabilidade do complexo metal–EDTA. Quanto mais

estável for o complexo, menor o pH no qual a titulação de um íon metálico

com EDTA pode ser feita. A Tabela 2.3 dá os pH mínimos para a existência

de complexos entre EDTA e certos metais. Em geral, os complexos de

EDTA com íons metálicos de carga 2 são estáveis em meio alcalino ou

fracamente ácido. No caso de íons de carga 3 ou 4, os complexos podem

existir em soluções mais ácidas.

 

Tabela 2.3 Estabilidade de alguns complexos metal–EDTA em relação ao pH