Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 305 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

12.4 Aplicações da termogravimetria

mesma massa molecular relativa, ou quase, como, por exemplo, água e

amônia, é difícil, às vezes, identificá-las. A análise por infravermelho

permite eliminar quaisquer ambigüidades na identificação dos produtos da

decomposição térmica.

Uma inovação desenvolvida pela TA Instruments é a chamada TGA de

alta resolução. Quatro algoritmos de aquecimento em velocidades variáveis

podem ser usados para melhorar a resolução e baixar o tempo de análise.

Quando se usa uma velocidade de reação constante — em que o sistema de

controle varia a temperatura do forno para manter velocidade constante de

mudança de peso — podese resolver e quantificar facilmente uma mistura

de hidrogenocarbonatos de sódio e de potássio (Fig. 12.7).

 

12.4 Aplicações da termogravimetria

 

Quatro aplicações da termogravimetria são particularmente importantes

para o analista:

 

1. Determinação da pureza e estabilidade térmica de padrões primários e

secundários.

2. Investigação das temperaturas corretas de secagem e da adequação das

várias formas de pesagem para análise gravimétrica.

3. Aplicação direta a problemas analíticos (análise termogravimétrica

automática).

4. Determinação da composição de ligas e misturas.

 

A termogravimetria é uma técnica útil na determinação da pureza de

materiais. Os reagentes analíticos, especialmente os usados como padrões

primários na análise titrimétrica como, por exemplo, carbonato de sódio,

tetraborato de sódio e hidrogenoftalato de potássio, podem ser assim

analisados. Muitos padrões primários absorvem quantidades apreciáveis de

água se expostos à umidade. Os resultados de TG detectam esta absorção e

indicam a temperatura de secagem mais adequada para um dado reagente.

Fig. 12.7 TGA de alta resolução quantifica misturas de hidrogenocarbonatos: velocidade de

 

reação constante, recipiente hermético com um pequeno orifício, 133 minutos (Cortesia de

TA Instruments, Newcastle, Inglaterra)

 

A estabilidade térmica do EDTA como ácido livre ou na forma mais

comum do sal dissódico, Na2EDTA·2H2O, foi estudada por Wendlandt [7]. Ele mostrou que a desidratação do sal começa entre 110 e 125°C,

confirmando, assim, o ponto de vista de Blaedel e Knight [8], de que o

Na 2EDTA·2H2O pode ser aquecido até peso constante em 80°C com segurança.

A aplicação mais ampla da termogravimetria em química analítica tem

sido o estudo das temperaturas de secagem recomendadas para precipitados

na análise gravimétrica. Duval estudou com esta técnica mais de mil

precipitados para encontrar as condições ideais de secagem. O estudo

permitiu concluir que apenas uma fração destes precipitados eram formas

adequadas de pesagem dos elementos. Os resultados de Duval foram

obtidos com materiais preparados sob condições de precipitação bem

especificadas. Deve-se ter isto em mente ao se avaliar a conveniência do

uso de um dado precipitado como forma de pesagem, porque as condições

de precipitação podem ter efeito profundo na curva de pirólise. Não se

justifica descartar um precipitado somente porque ele não mostra um

patamar estável na curva de pirólise em uma dada velocidade de aquecimento. Além disto, os limites do patamar não devem ser tomados

como um indicador de estabilidade térmica dentro da faixa de temperatura.

A forma usada na pesagem não é, necessariamente, isotermicamente estável

em todas as temperaturas da porção horizontal de uma curva

termogravimétrica. É preferível usar velocidades baixas de aquecimento nos

intervalos de temperatura em que ocorrem transformações químicas,

especialmente quando o peso da amostra é grande. Lembre-se de que na

obtenção das curvas termogravimétricas a temperatura normalmente varia

com velocidade uniforme e, na análise gravimétrica de rotina, o precipitado

é geralmente levado rapidamente até uma dada temperatura e mantido nela

por um tempo definido.

A termogravimetria pode ser usada na determinação da composição de

misturas binárias. Se as curvas de pirólise dos componentes são diferentes,

a curva da mistura permite a determinação de sua composição. Numa

determinação gravimétrica automática deste tipo, o peso inicial da amostra

não precisa ser conhecido. Um exemplo simples é a determinação

automática de uma mistura de cálcio e estrôncio na forma de carbonatos.

Ambos os carbonatos se decompõem nos óxidos correspondentes, liberando

dióxido de carbono. A temperatura de decomposição do carbonato de cálcio

está entre 650 e 850°C, e a do carbonato de estrôncio, entre 950 e 1150°C.

Esta diferença permite o cálculo das quantidades de cálcio e de estrôncio

presentes em uma mistura a partir das perdas de peso devidas à eliminação

de dióxido de carbono nas faixas de menor e maior temperatura,

respectivamente. Este método pode ser estendido para a análise de misturas

ternárias, já que o carbonato de bário decompõe-se em temperaturas mais

elevadas (cerca de 1300°C) do que a do carbonato de estrôncio.

Um outro exemplo, citado por Duval [9], é a determinação automática de

uma mistura de oxalatos de cálcio e magnésio. O oxalato de cálcio mono-

hidratado tem três regiões distintas de decomposição e o oxalato de

magnésio di-hidratado, apenas duas:

A curva de pirólise de uma mistura dos dois oxalatos deve, portanto,

apresentar três etapas de decomposição. A etapa final é inteiramente devida

à eliminação de dióxido de carbono do carbonato de cálcio, o que permite o

cálculo do teor de cálcio presente na mistura. A quantidade de magnésio

pode ser calculada na segunda etapa, em que ocorrem os estágios (b) e (e).

Isto se justifica porque a quantidade de monóxido de carbono proveniente

da decomposição do carbonato de cálcio pode ser subtraída da perda total

de peso observada para dar a perda de dióxido de carbono e monóxido de

carbono do oxalato de magnésio anidro. Como os estágios (a) e (d) não

entram nos cálculos, a mistura dos oxalatos de cálcio e de magnésio não

requer secagem antes da determinação automática.

Os estudos termogravimétricos também se aplicam a materiais

mineralógicos, metalúrgicos e poliméricos. Dentre possíveis exemplos está

o estudo de argilas e solos por Hoffman et al. [10]. As curvas de pirólise da

maior parte dos solos examinados mostraram patamares que se iniciam

entre 150 e 180°C e se estendem até 210–240°C, indicando a remoção da

umidade higroscópica e dos compostos orgânicos voláteis. No estudo da

argila de um determinado solo, a perda de peso em 500°C, obtida de uma

curva de pirólise, deu uma estimativa da quantidade de matéria orgânica em

razoável concordância com os dados de combustão seca e oxidação úmida.

Outra característica deste trabalho é a sugestão de que a água reticular pode

ser determinada quantitativamente em argilas puras. Como as águas

reticulares de diferentes argilas são eliminadas em temperaturas diferentes,

estas podem ser utilizadas na identificação.

A oxidação da liga samário–cobalto, Co5Sm, foi estudada por

termogravimetria usando ar como atmosfera [11]. A Fig. 12.8 mostra os

resultados deste estudo. O aumento de peso entre A e B é o resultado da

oxidação de Sm a Sm 2O3. O aumento entre B e C, da oxidação de Co a Co 3O4 e da formação do óxido misto CoSmO3. A perda de peso entre D e E