Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 449 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

18.3 O efeito Raman

na década seguinte as medidas de Raman foram mais utilizadas do que as

medidas de infravermelho porque elas podiam ser registradas diretamente

em placas fotográficas enquanto as de infravermelho tinham de ser

registradas manualmente. A espectroscopia de Raman tem as seguintes

vantagens sobre a espectroscopia de absorção no infravermelho:

 

1. A água é um excelente solvente para a espectroscopia de Raman e não

pode ser usada na espectroscopia de infravermelho.

2. Pode-se usar células de vidro na espectroscopia de infravermelho.

3. Os espectros de Raman são usualmente mais simples do que os espectros

de infravermelho e, por isso, sobreposições de bandas são menos comuns

na espectroscopia de Raman.

4. Modos de vibração totalmente simétricos podem ser estudados pelo

efeito Raman, mas não são observados na espectroscopia de absorção no

infravermelho.

5. Nos espectros de Raman a polarização dá informações adicionais.

6. Devido à natureza do efeito Raman, um instrumento e uma única

varredura contínua são suficientes para cobrir a faixa completa das

freqüências de vibração molecular.

7. A intensidade de uma linha de Raman é diretamente proporcional à

concentração. A lei de Beer tem de ser aplicada no caso da

espectroscopia de absorção no infravermelho. Portanto, a análise

quantitativa é, com freqüência, mais conveniente e mais acurada na

espectroscopia de Raman.

 

18.3 O efeito Raman

 

Raman descobriu que quando moléculas são irradiadas com luz

monocromática, uma parte da luz se espalha. Grande parte da radiação

espalhada (cerca de 99%) tem a mesma freqüência da luz incidente

(espalhamento de Rayleigh), porém uma pequena porção (menos de 1%) se

encontra em outras freqüências. A diferença entre estas novas freqüências

(bandas de Raman) e a freqüência original é característica da molécula irradiada e é idêntica, numericamente, a certas freqüências vibracionais e

rotacionais da molécula. A Fig. 18.2 mostra uma parte do espectro de

Raman de CHCl3, obtido por irradiação da amostra com um feixe intenso de um laser hélio-neônio com comprimento de onda em 632,8 nm. A radiação

espalhada, observada a 90o em relação ao feixe incidente, é de três tipos:

Rayleigh, Stokes e anti-Stokes.

 

Fig. 18.2 Espectro de Raman do clorofórmio (tricloro-metano)

 

A emissão devida ao espalhamento de Rayleigh é consideravelmente

mais intensa do que as outras duas. Como é usual para os espectros de

Raman, o eixo horizontal da Fig. 18.2 representa a diferença entre a

radiação observada e a radiação da fonte em número de ondas. Observe que

os picos de Raman são encontrados em ambos os lados do pico de Rayleigh

e que o aspecto dos picos é o mesmo em ambos os lados. As linhas de

Stokes aparecem em números de ondas menores do que o número de onda

do pico de Rayleigh e as linhas anti-Stokes aparecem em números de onda

maiores do que o número de onda do pico de Rayleigh. Como a

distribuição é a mesma em ambos os lados do pico de Rayleigh, as linhas

aparecem em pares, Stokes–anti-Stokes. O deslocamento, em número de ondas, das duas linhas de cada par é o mesmo, mas ele ocorre em direções

opostas. O tamanho dos deslocamentos de Raman é independente do

comprimento de onda de excitação. As linhas anti-Stokes são geralmente

muito menos intensas do que as linhas de Stokes correspondentes e, por

isso, somente as linhas de Stokes são utilizadas. O eixo horizontal é

expresso freqüentemente em número de ondas e não em comprimento de

onda. Os sinais negativos dos deslocamentos de Stokes são, às vezes,

omitidos.

A origem das linhas de Stokes e anti-Stokes pode ser explicada com o

auxílio da Fig. 18.3. No tratamento quantomecânico do efeito Raman, a

radiação é vista como um feixe de fótons espalhados por colisões entre eles

e as moléculas da amostra. A maior parte destas colisões é elástica, no

sentido de que não ocorre transferência de energia. Algumas delas, porém,

são inelásticas. Nelas, a energia vibracional de uma ligação é adicionada ou

subtraída da energia do fóton incidente, alterando sua freqüência. Observe

que a molécula não é, em geral, excitada até o primeiro nível eletrônico. Ela

pode ocupar qualquer um dos infinitos estados virtuais entre o estado

fundamental e os estados eletrônicos excitados. Observe que para que

ocorra o comportamento anti-Stokes a molécula deve estar originalmente

em um nível vibracional excitado. Pode-se calcular a probabilidade disto

acontecer em uma dada temperatura usando a distribuição de Boltzmann.

Por isso, quando a temperatura aumenta, a população do primeiro estado

vibracional aumenta e a intensidade relativa das linhas anti-Stokes aumenta

em comparação às linhas de Stokes.