Vogel: Análise Química Quantitativa
8.6 Cromatografia quiral
Muitas moléculas biológicas importantes existem como pares de enantiômeros (isômeros óticos) — duas formas de uma substância que têm comportamento químico e físico idênticos, mas que têm propriedades diferentes em um meio assimétrico. Um dos enantiômeros do par pode ser biologicamente inativo ou pode ser perigoso para a saúde. O exemplo mais trágico disso, até hoje, talvez tenha sido o problema causado pela talidomida, onde um dos isômeros era um sedativo e o outro um teratógeno. O remédio causou deformações graves nos fetos de mulheres grávidas que o tomaram para aliviar o enjôo matinal. Por este e outros motivos, tornou-se cada vez mais importante fazer a análise quiral (separação e quantificação dos dois isômeros) dos compostos usados na medicina e na agricultura. As primeiras fases estacionárias capazes de fazer separações quirais foram produzidas no começo dos anos 1980 pelo Prof. W. H. Pirkle e colegas [16] e são conhecidas como empacotamentos de Pirkle. Estas fases são cadeias orgânicas assimétricas curtas ligadas à superfície da sílica usada no empacotamento, por um processo semelhante ao usado para fabricar fases ligadas. Embora sejam efetivas para separar os isômeros óticos de muitos compostos orgânicos, elas se comportam como materiais de fase normal quando se usa THF–hexano ou álcool isopropílico–hexano como solvente de eluição. Por isso, estas colunas não são muito eficientes para separar materiais hidrofílicos.
Outros empacotamentos, baseados em outros materiais oticamente ativos, notavelmente as ciclodextrinas, podem ser usados em separações em fase normal ou reversa. O grupo mais importante de fases estacionárias quirais, entretanto, é baseado em moléculas naturais como proteínas, inerentemente assimétricas. Talvez a mais utilizada seja a albumina de serum humano imobilizada (HSA), que pode ser ligada à sílica e usada como fase reversa para separar substâncias solúveis em água, usando a afinidade de um dos enantiômeros com a fase estacionária [17]. Trata-se, portanto, de uma forma elaborada de cromatografia por afinidade onde materiais oticamente ativos podem ser separados.