Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 142 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

7.6 Cromatografia em camada fina com alta resolução (HPTLC)

solventes diferentes, a separação de misturas por TLC com o

desenvolvimento em uma só direção não permite uma boa resolução dos

componentes. Este problema pode ser superado com o uso da cromatografia

em camada fina em duas dimensões. A técnica pode ser aplicada até mesmo

para compostos estruturalmente muito relacionados. Neste procedimento, a

separação é feita usando-se uma placa de TLC quadrada. A aplicação da

amostra é feita perto de um dos vértices da placa e um primeiro

desenvolvimento é feito usando um sistema de solventes (Fig. 7.4(a)).

Quando o desenvolvimento se completar (Fig. 7.4(b)), a placa é retirada da

cuba e seca. Gira-se a placa de 90° de modo a fazer com que a coluna de

manchas separadas passe a ser a linha de partida (Fig. 7.4(c)). O

cromatograma é desenvolvido novamente usando-se um segundo sistema de

solventes. O resultado (Fig. 7.4(d)) é uma separação efetiva que cobre uma

boa área da placa de TLC. Uma das grandes vantagens da cromatografia em

camada fina em duas dimensões é que é possível se obter separações

efetivas de materiais estruturalmente muito semelhantes com placas

quadradas de apenas 10 cm × 10 cm.

 

7.6 Cromatografia em camada fina com alta resolução (HPTLC)

 

A melhoria da qualidade dos adsorventes de TLC e dos procedimentos de

aplicação das amostras aumentou de tal modo o desempenho da

cromatografia em camada fina na separação de misturas, que a expressão

“cromatografia em camada fina com alta resolução (HPTLC)” foi cunhada

para descrever as separações em alta resolução que passaram a ser

possíveis. As principais melhorias que levaram à cromatografia em camada

fina com alta resolução serão sumariadas a seguir. Lembre-se, porém, que o

menor tamanho de partícula dos adsorventes também leva a menores

velocidades de desenvolvimento dos cromatogramas. Por isso, as distâncias

de eluição são menores e usam-se menores quantidades de soluto.

Fig. 7.4 Cromatografia em placa fina em duas dimensões: (a) primeiro desenvolvimento; (b) resultados da primeira separação; (c) placa rodada por 90° para o segundo desenvolvimento; (d) cromatograma final. (Reproduzido com permissão de R. C. Denney, 1982, A dictionary of chromatography, 2a Ed., Macmillan, Londres.)

 

 

Qualidade da camada adsorvente

 

As camadas de adsorvente para HPTLC são preparadas com sílica gel

especialmente purificada, com partículas de diâmetro médio de 3 a 5 μm e

distribuição estreita de diâmetros. A sílica gel pode ser modificada, se

necessário. Assim, existem no mercado placas com adsorventes ligados

quimicamente a compostos orgânicos (fase reversa). As camadas feitas com

estes adsorventes especiais têm cerca de 5000 pratos teóricos e são muito

mais eficientes do que a cromatografia em camada fina convencional. Isto

permite conseguir separações muito mais difíceis em menor tempo.

 

Métodos de aplicação da amostra

 

Como a camada de HPTLC tem menor capacidade, a quantidade de amostra

aplicada é menor. Tipicamente, as amostras têm volume da ordem de 100 a

200 nl, com manchas de 1,0 a 1,5 mm de diâmetro inicial. Após o

desenvolvimento por 3 a 6 cm, observam-se manchas compactas separadas cujo limite de detecção é cerca de 10 vezes melhor do que o da

cromatografia em camada fina convencional. Outra vantagem é que

manchas iniciais pequenas permitem o aumento do número de amostras que

podem ser aplicadas na mesma placa.

A colocação da amostra na camada adsorvente é um processo crítico em

HPTLC. Para o trabalho quantitativo, o instrumento mais conveniente para

colocar a amostra é um capilar de platina-irídio de volume constante (100

ou 200 nl), selado em um capilar de vidro de diâmetro maior como suporte.

A ponta do capilar é polida para dar uma superfície plana e regular com

área pequena ( 2 ∼ 0,05 mm) que, usada com um aplicador mecânico, reduz

ao mínimo os danos à superfície da placa. A colocação manual da amostra

sempre danifica seriamente a superfície.

A cromatografia em camada fina pode ser uma técnica de análise muito

trabalhosa porque muitas etapas estão necessariamente envolvidas: a

preparação da amostra, freqüentemente seguida por extração com solvente e

concentração do extrato, a aplicação da amostra, o desenvolvimento do

cromatograma e a revelação das manchas por fluorescência ou reação

química. A análise quantitativa exige, ainda, outras etapas como a raspagem

e a dissolução ou a leitura ótica. Isto fez com que ocorresse ultimamente um

grande esforço para reduzir o tempo de análise. Algumas soluções

encontradas incluem o uso de colunas de extração em fase sólida para

concentrar as amostras, seguido por revelação automatizada das manchas

para lidar com muitas amostras simultaneamente e permitir aplicações

reproduzíveis e quantitativas da amostra. Estes sistemas são particularmente

úteis no caso de muitas análises sucessivas de amostras semelhantes.

 

Densitômetros de varredura

 

Instrumentos comerciais para análise quantitativa in situ baseada em

medidas fotométricas diretas são hoje muito usados em TLC. Existem

instrumentos de feixe simples e de feixe duplo que são particularmente

importantes em HPTLC devido à alta qualidade e homogeneidade da

superfície das placas. Os densitômetros varrem as manchas uma a uma por

reflexão ou absorção de um feixe de luz. Na densitometria por refletância, um feixe móvel de luz varre o cromatograma e um detector mede a