Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 351 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

13.33 Polarógrafo com três eletrodos: controle potenciostático

como ocorre, por exemplo, na determinação de cádmio em cobre, é quase

impossível interpretar um polarograma convencional sem separação

química prévia. Um polarograma derivado, entretanto, mostra uma série de

picos nas posições aproximadas dos potenciais de meia-onda, que permitem

a quantificação dos dois elementos separadamente. A Fig. 13.17(a) mostra o

polarograma obtido com íons cobre e cádmio na razão 40:1 e a Fig.

13.17(b) mostra o polarograma derivado, com dois picos claramente

visíveis.

 

13.33 Polarógrafo com três eletrodos: controle potenciostático

 

Muitos polarógrafos modernos têm um potenciostato que controla o

potencial do eletrodo de mercúrio gotejante. Isto é particularmente

importante quando soluções de alta resistência estão envolvidas como, por

exemplo, solventes não-aquosos ou misturas de água e solventes orgânicos.

Uma resistência elevada na célula polarográfica leva a uma queda muito

alta da voltagem da lei de Ohm (IR) na célula e isto não somente influencia

o potencial de eletrodo medido como também distorce o polarograma. Em

casos extremos, como no caso de alguns solventes não-aquosos, a curva

polarográfica parece uma reta e só após a correção da queda da voltagem

ôhmica obtém-se uma curva polarográfica normal. O controle

potenciostático exige a colocação de um terceiro eletrodo (um contra-

eletrodo) na célula polarográfica.

Fig. 13.17 Determinação de cádmio como impureza de cobre: (a) polarograma; (b) derivada

 

O eletrodo de referência deve ficar o mais perto possível do eletrodo de

mercúrio gotejante para que a resistência da solução entre os dois eletrodos

seja a menor possível. O potenciostato mantém, então, no valor correto a

f.e.m. da célula do par eletrodo de mercúrio–eletrodo de referência. Este

arranjo tem ainda a vantagem de que praticamente não passa corrente pelo

eletrodo de referência, logo, não pode ocorrer polarização do eletrodo com

a conseqüente variação de potencial.

 

O eletrodo de mercúrio gotejante

 

Embora ainda se façam medidas polarográficas usando eletrodos

capilares simples, há vantagens em substituir o eletrodo de mercúrio

gotejante por um eletrodo de mercúrio de gota pendente (HMDE) ou um

eletrodo de mercúrio de gota estática (SMDE), nos quais um êmbolo

controlado por um solenóide produz gotas de mercúrio na ponta de um

capilar um pouco mais largo do que os usados no eletrodo de mercúrio

gotejante. O solenóide é ajustado de modo que o crescimento da gota pare

antes que ela caia devido a seu próprio peso (Fig. 13.18). Este procedimento

estabelece uma superfície de eletrodo de área fixa, de tal maneira que, quando a superfície é carregada pela corrente do condensador, apenas a

corrente de difusão continua a fluir. Ela pode ser medida com acurácia

maior do que é possível com o eletrodo de mercúrio gotejante. Em

intervalos preestabelecidos, a gota de mercúrio é deslocada do capilar e

uma nova gota aparece para que a leitura continue.

Existe um certo número de eletrodos comerciais [33]. Esses eletrodos

tornaram a parte mecânica da polarografia mais confiável e versátil do que

a dos sistemas tradicionais dependentes da gravidade. Muitos deles

permitem que o operador controle o tamanho da gota e a freqüência da

queda — as gotas formam-se e são descartadas com uma velocidade muito

maior do que nos eletrodos tradicionais de gotejamento. Muitos deles

permitem a produção de uma única gota estável e imóvel para experimentos

como a voltametria extrativa (stripping voltammetry — Seção 13.43).

Fig. 13.18 Eletrodo de mercúrio de gota pendente (HDME)

 

Células polarográficas

 

Os equipamentos do tipo HMDE e SMDE têm a vantagem de que todos os

componentes necessários para um experimento polarográfico (eletrodo de

mercúrio, eletrodo de referência, contra-eletrodo e sistema de degasagem)

são colocados em um mesmo conjunto. A solução que contém o analito é

colocada em um vaso muito simples que pode ser facilmente colocado no

sistema ou removido. Este arranjo permite a medida de diferentes soluções.

No caso de certas aplicações, entretanto, células especialmente construídas

podem ser necessárias. A Fig. 13.19 mostra o esquema da célula em H, devida a Lingane e Laitinen. Uma característica desta célula é o eletrodo de

referência nela embutido. Usa-se normalmente um eletrodo de calomelano

saturado, mas, se a presença do íon cloreto é indesejável, pode-se usar um

eletrodo de sulfato de mercúrio(I) (Hg/Hg 2SO4 em uma solução de sulfato de potássio, potencial aproximadamente +0,40 V relativo ao eletrodo de

calomelano saturado). A célula contém habitualmente 10 a 50 ml da

solução-teste no compartimento da esquerda, mas este volume pode ser

reduzido até 1–2 ml. Para evitar a polarização do eletrodo de referência, o

tubo que o contém deve ter pelo menos 20 mm de diâmetro. As dimensões

do compartimento da solução-teste, entretanto, podem variar muito.

Os compartimentos são ligados por um tubo horizontal cheio com um gel

de ágar 4% saturado com cloreto de potássio, mantido em posição por um

disco de vidro Pyrex sinterizado de porosidade média (diâmetro de 10 mm,

pelo menos) colocado o mais perto possível do compartimento que contém

a solução-teste, para facilitar a eliminação do ar dissolvido. Para colocar o

gel na posição correta, prenda a célula de tal modo que o tubo que vai

conter o gel fique na vertical. Transfira o gel com uma pipeta e deixe a

célula em repouso até que ele solidifique.