Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 353 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

13.35 Aplicações quantitativas da polarografia

ondas produzidas depende, em parte, da concentração da espécie redox e,

em parte, de outros fatores, como a velocidade de varredura. Quanto mais

rápida for a varredura, maior é a onda para uma determinada solução. A

voltametria cíclica dá, essencialmente, informações qualitativas

extremamente importantes sobre as velocidades e os mecanismos de reação.

Por isso, ela é geralmente a primeira técnica eletroquímica aplicada em um

sistema desconhecido. Se o que interessa são medidas quantitativas

acuradas, uma das técnicas pulsadas é normalmente preferível.

 

13.35 Aplicações quantitativas da polarografia

 

Uma das grandes vantagens das técnicas polarográficas sobre outros

métodos de análise é que ela pode ser aplicada a amostras de tipos bem

diferentes. A única exigência é que ocorra na solução um processo

eletroquímico de oxidação ou redução mensurável em um tempo razoável.

Isto significa que a técnica pode ser aplicada à maior parte dos metais e

ânions e a muitas espécies orgânicas. A Tabela 13.9 dá uma indicação dos

analitos que podem ser determinados por voltametria e por técnicas de

extração eletroquímica. Devido à versatilidade do método, discutiremos

somente algumas aplicações específicas. Outras aplicações são discutidas

na literatura.

 

Aplicações inorgânicas

 

Muitos ânions e cátions inorgânicos e algumas moléculas podem ser

determinados por polarografia. As ondas de redução catódica são

particularmente importantes na determinação de cátions de metal de

transição. A facilidade da análise depende freqüentemente da seleção do

eletrólito de suporte apropriado. Assim, por exemplo, quando se usa cloreto

de potássio como eletrólito de suporte, as ondas de cobre(II) e ferro(III)

interferem uma com a outra, porém, se o eletrólito de suporte é fluoreto de

potássio, o ferro(III) forma um complexo com os íons fluoreto e a onda

correspondente fica 50 mV mais negativa sem que a onda do cobre seja

afetada, e não mais ocorre interferência. A escolha do eletrólito de suporte é, freqüentemente, a etapa crítica da análise. A literatura, porém, dá

usualmente um bom palpite para a escolha inicial.

A determinação polarográfica de íons de metal que são hidrolisados

facilmente, como Al3+, pode ser um problema em solução em água, mas é

resolvido pelo uso de solventes livres de água. Solventes típicos (e seus

eletrólitos de suporte entre parênteses) incluem ácido acético (CH 3CO2Na),

acetonitrila (LiClO 4), dimetil-formamida (perclorato de tetrabutilamônio), metanol (KCN ou KOH) e piridina (perclorato de tetraetilamônio). Nestes

meios, o eletrodo de mercúrio gotejante é normalmente substituído por um

microeletrodo de platina.

O método polarográfico também pode ser usado para a determinação de

ânions inorgânicos como cianeto, bromato, iodato, dicromato e vanadato.

Íons hidrogênio estão envolvidos em muitos destes processos de redução e,

por isso, o eletrólito de suporte deve ser convenientemente tamponado.

Embora não sejam determinados diretamente, nitrato e diversas espécies de

enxofre também podem ser medidos em concentrações relevantes para o

ambiente (Seção 13.42). Aplicações típicas no campo da inorgânica são a

análise de minerais, metais (inclusive ligas), soluções de capeamento,

comidas e bebidas, fertilizantes, cosméticos e medicamentos, águas

naturais, efluentes industriais e atmosferas poluídas. A técnica também

pode ser usada para estabelecer as fórmulas de complexos.

 

Tabela 13.9 Tabela periódica enfatizando os elementos que podem ser determinados por voltametria

Aplicações orgânicas

 

Se o material orgânico pode sofrer uma reação redox, ele pode, em teoria,

ser determinado por técnicas polarográficas. Muitos grupos funcionais

orgânicos sofrem redução ou oxidação no eletrodo gotejante. Outros

grupos, como os alcanos, não se prestam a esta técnica. Lembre-se de que,

em geral, as reações de compostos orgânicos no eletrodo gotejante são mais

lentas e, freqüentemente, mais complexas do que as dos íons inorgânicos.

Por outro lado, as investigações polarográficas também podem ser úteis

para a determinação de estruturas, além das análises qualitativa e

quantitativa. A Tabela 13.10 lista os grupos funcionais passíveis de

determinação por técnicas polarográficas. As reações de substâncias

orgânicas no eletrodo gotejante usualmente envolvem íons hidrogênio. Uma

reação típica pode ser representada por

 

R + + n H + ne RHn onde RHn é a forma reduzida do composto orgânico redutível R. Como íons

hidrogênio (fornecidos pela solução) participam da reação, o eletrólito de

suporte deve estar tamponado. Alterações do pH do eletrólito de suporte

podem levar à formação de produtos diferentes. Assim, em solução

levemente alcalina, o benzaldeído é reduzido em –1,4 V a álcool benzílico,

porém, em meio ácido (pH < 2), a redução ocorre em –1,0 V com formação

de hidro-benzoína.

 

2C + H CHO + 2H + 2e C H CH(OH)CH(OH)C H

6 5 6 5 6 5

 

Muitos materiais orgânicos complexos encontrados em sistemas biológicos

ou em alimentos podem ser fácil e acuradamente determinados em água

com varredura anódica em substituição à varredura catódica, mais comum e

mais apropriada para metais. O procedimento é fácil, desde que o potencial

positivo não ultrapasse 400 mV, onde o mercúrio se oxida a Hg(I). Várias

vitaminas, incluindo a vitamina C e as do grupo E, podem ser determinadas

em muitos meios diferentes (Seção 13.41).

Alguns compostos orgânicos devem ser investigados em solventes mistos

(aquosos e orgânicos) que aumentam a solubilidade destes compostos.

Solventes úteis miscíveis com água são etanol, metanol, etano-1,2-diol,

dioxano, acetonitrila e ácido acético. Às vezes, é necessário usar um

solvente orgânico puro e materiais anidros como ácido acético, formamida e

dietilamina. Eletrólitos de suporte convenientes nestes solventes incluem o

perclorato de lítio e sais de tetralquilamônio R 4NX (R = etila ou butila; X = iodeto ou perclorato).

Pode-se usar os métodos polarográficos para estudar compostos

orgânicos puros, compostos orgânicos em alimentos e derivados, materiais

biológicos, herbicidas, inseticidas e pesticidas, petróleo e seus derivados,

polímeros e compostos farmacêuticos. Pode-se, também, fazer a análise

quantitativa de drogas em sangue e urina. Além disso, detectores

polarográficos são cada vez mais usados no monitoramento de efluentes

orgânicos de sistemas de cromatografia HPLC.

Lembre-se de que em todos os experimentos polarográficos,

especialmente em análise orgânica, quando não se conhece o

comportamento polarográfico de uma determinada substância, outros

fatores podem influenciar a corrente observada, além da onda polarográfica

associada com a redução ou oxidação da espécie sob análise. Estes fatores

incluem

 

Correntes cinéticas As correntes cinéticas ocorrem quando a velocidade

de uma reação química é a etapa controladora do processo. Assim, uma

espécie S que não é eletroativa, mas se converte em uma substância O, sofre

redução no eletrodo gotejante:

 

S 0 + ne R

 

Tabela 13.10 Grupos orgânicos eletroativos

 

Acetilenos

 

Aldeídos

 

Aromáticos conjugados

 

Ácidos carboxílicos conjugados

 

Compostos diazo

 

Dienos: ligações duplas conjugadas

 

Dissulfetos

Halogenetos

 

heterociclos

 

Cetonas

 

Nitrilas

 

Compostos nitro

 

Compostos nitroso

 

Peróxidos

 

Quinonas

 

Sulfetos

 

Se a velocidade de formação de O é menor do que a velocidade de difusão,

a corrente de difusão é controlada pela velocidade com que O se forma.

 

Correntes catalíticas Correntes catalícas são observadas quando o

produto de redução no eletrodo é reconvertido à espécie original por

interação com outra substância em solução que age como oxidante:

 

S + ne R R + X S