Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 42 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

2.25 Estabilidade de complexos: fatores importantes

e bases (Seção 2.11) e, por analogia, diz-se que o sistema ligante-complexo

é um tampão de íon metálico.

 

2.25 Estabilidade de complexos: fatores importantes

 

Capacidade de complexação dos metais

 

A capacidade relativa de complexação dos metais é convenientemente

descrita em termos da classificação de Schwarzenbach, que se baseia na

divisão dos metais em ácidos de Lewis (aceptores de elétrons) da classe A e

da classe B. Os da classe A são caracterizados pela ordem de afinidade (em

água) em relação aos halogênios F – – – – ≫ Cl > Br > I e por formarem seus

complexos mais estáveis com os primeiros membros de cada grupo de

átomos doadores de elétrons da tabela periódica (nitrogênio, oxigênio e

flúor). Os metais da classe B coordenam-se mais facilmente com I – do que

com F– em água e formam seus complexos mais estáveis com o segundo (ou

mais pesado do que o segundo) átomo doador de elétrons de cada grupo

(fósforo, enxofre e cloro). A classificação de Schwarzenbach define três

categorias de aceptores de íons metálicos:

 

Cátions com configuração de gás nobre Os metais alcalinos,

alcalinos terrosos e o alumínio pertencem a esse grupo, que exibe

propriedades de aceptor da classe A. Forças eletrostáticas predominam na

formação dos complexos, logo as interações entre íons pequenos de carga

elevada são particularmente fortes e levam a complexos estáveis.

 

Cátions com subcamadas d completas Típicos deste grupo são o

cobre(I), a prata(I) e o ouro(I), que exibem propriedades características de

um aceptor da classe B. Estes íons têm alta capacidade de polarização e as

ligações de seus complexos têm caráter covalente apreciável.

 

Íons de metais de transição com camadas d incompletas Neste

grupo podem-se distinguir características típicas dos grupos A e B. Os

elementos com características do grupo B formam um grupo quase triangular na tabela periódica, com o cobre no ápex e a base estendendo-se

do rênio ao bismuto. À esquerda desse grupo, os elementos tendem, quando

nos estados de oxidação mais altos, a exibir propriedades típicas do grupo

A. À direita desse grupo, os elementos tendem, quando nos estados de

oxidação mais altos, a exibir propriedades características do grupo B.

 

O conceito de ácidos e bases duros e moles é útil na caracterização do

comportamento de aceptores da classe A e da classe B. Uma base mole

pode ser definida com uma base em que o átomo doador tem alta

polarizabilidade e baixa eletronegatividade, é facilmente oxidado ou está

associado com orbitais vazios. Estes termos descrevem uma base na qual os

elétrons do átomo doador são facilmente distorcidos ou removidos. As

bases duras têm as propriedades opostas, isto é, o átomo doador tem baixa

polarizabilidade e alta eletronegatividade, é reduzido dificilmente e está

associado com orbitais vazios de alta energia, que são menos acessíveis.

Levando isso em conta tem-se que os aceptores da classe A preferem

ligar-se a bases duras, isto é, aos átomos N, O e F como doadores de

elétrons, enquanto os aceptores da classe B preferem ligar-se a bases moles,

isto é, aos átomos P, As, S, Se, Cl, Br e I como doadores de elétrons. O

exame de uma lista de aceptores da classe A mostra que eles tendem a

apresentar as seguintes características: tamanho pequeno, estado de

oxidação positivo elevado e ausência de elétrons que podem ser facilmente

excitados. Estas são características de átomos com baixa polarizabilidade e

estes aceptores são chamados de ácidos duros. Os aceptores da classe B têm

uma ou mais das seguintes propriedades: estado de oxidação positivo baixo

ou zero, tamanho grande, elétrons que podem ser facilmente excitados (no

caso de metais, elétrons d). Estas são características de átomos com alta

polarizabilidade e estes aceptores são chamados de ácidos moles.

Temos agora um princípio geral para a ordenação da capacidade de

complexação dos metais: os ácidos duros tendem a se complexar com bases

duras e os ácidos moles com bases moles. No entanto, sob certas condições,

ácidos moles podem complexar-se com bases duras e ácidos duros com

bases moles.

Características do ligante

 

Algumas das características dos ligantes que influenciam a estabilidade dos

complexos de que participam são: (i) basicidade; (ii) propriedades de

quelação (quando houver) e (iii) efeitos estéricos. Do ponto de vista das

aplicações analíticas, a quelação é extremamente importante e, por isso,

merece atenção particular.

O termo efeito quelato refere-se ao fato de um complexo quelatado, isto

é, um complexo formado por um ligante bidentado ou multidentado, ser

mais estável do que o complexo correspondente, formado com ligantes

monodentados: quanto maior for o número de pontos de ligação com o íon

metálico, maior a estabilidade do complexo. Assim, os complexos formados

pelo íon níquel(II) com (a) a molécula monodentada NH3, (b) a molécula bidentada etilenodiamina (1,2-diamino-etano) e (c) o ligante hexadentado

“penten” {(H 2N·CH2·CH2)2N·CH2·CH2·N(CH2·CH2·NH2)2} têm uma constante de estabilidade absoluta igual a 3,1 × l08 para o complexo do

ligante (a), que é menor do que o do ligante (b) por um fator de 10 10, que,

por sua vez, é menor do que o do ligante (c) por um fator adicional de 10

vezes. O efeito estérico mais comum é a inibição da complexação devida a

um grupo volumoso ligado a ou próximo do átomo doador.

A velocidade da reação é um outro fator que deve ser avaliado quando se

consideram as aplicações analíticas dos complexos e as reações de

complexação. Para ter utilidade prática, a reação deve ser rápida. Uma

classificação importante dos complexos baseia-se na velocidade com que

eles sofrem reações de substituição. Sob este ponto de vista, um complexo

lábil é aquele que sofre reações de substituição nucleofílica no tempo

necessário para misturar os reagentes. Assim, por exemplo, quando amônia

em água em excesso reage com sulfato de cobre(II), a mudança de cor de

azul pálido para azul profundo é instantânea. A substituição rápida de

moléculas de água por amônia indica que os íons Cu(II) formam complexos

cineticamente lábeis com água. Já um complexo inerte é aquele que sofre

reações de substituição lentas, isto é, reações com tempo de meiavida da

ordem de horas, ou mesmo de dias, na temperatura normal. Assim, o íon Cr(III) forma complexos cineticamente inertes com água, isto é, a