Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 304 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

12.3 Instrumentação da termogravimetria

Os resultados termogravimétricos podem ser bem diferentes em amostras

com diferentes histórias. Assim, por exemplo, as curvas de TG e de DTG

mostraram que hidróxido de magnésio preparado por precipitação tem

temperatura de decomposição diferente da do hidróxido natural [5]. Por

isto, deve-se procurar descobrir a origem e o método de obtenção da

amostra.

 

12.3 Instrumentação da termogravimetria

12.3.1 Um bom modelo de termobalança

Os critérios de Lukaszewski e Redfern [6]

 

(a) A termobalança deve ser capaz de registrar continuamente a variação

do peso da amostra em função da temperatura e do tempo.

(b) O forno deve atingir a temperatura máxima desejada. (Em algumas

termobalanças modernas pode-se trabalhar entre –150 e 2400°C.)

(c) A taxa de aquecimento deve ser linear e reprodutível.

(d) A câmara da amostra deve estar na zona quente do forno que, por sua

vez, deve ter temperatura uniforme.

(e) A termobalança deve permitir o aquecimento em diversas velocidades

e permitir o aquecimento em diversas atmosferas controladas e no

vácuo. O instrumento deve ser também capaz de permitir estudos em

condições isotérmicas.

(f) O mecanismo da balança deve estar protegido do forno e do efeito de

gases corrosivos.

(g) A temperatura da amostra deve ser medida o mais acuradamente

possível.

(h) Deve-se usar uma balança com sensibilidade adequada ao estudo de

quantidades muito pequenas de amostras.

 

Outros critérios para termobalanças modernas

 

(a) Aquecimento e resfriamento rápido. Isto permite completar várias

análises em um tempo relativamente curto.

(b) O instrumento deve ser capaz de obter as curvas termogravimétricas

derivadas (DTG).

(c) No caso da EGA, o acoplamento adequado entre a termobalança e o

analisador de gases (cromatógrafo a gás, espectrômetro de massas,

infravermelho com transformadas de Fourier) deve ser eficiente.

(d) Velocidade de aquecimento dinâmica. Isto permite altas velocidades de

aquecimento nas regiões em que não há perda de peso e variações

contínuas em função da velocidade de decomposição da amostra.

 

12.3.2 Principais componentes de uma termobalança

 

Dispõe-se atualmente de muitos instrumentos comerciais de características

semelhantes. As termobalanças modernas são controladas por computador e

podem gerar um grande número de programas de temperatura. Os principais

componentes de uma termobalança são a balança e o forno. As amostras são

colocadas em um cadinho raso de platina ligado a uma microbalança

registradora automática. O tipo de balança mais comum em

termogravimetria é a balança de ponto nulo. Neste tipo de balança, quando

o peso muda, o fiel da balança sofre um desvio em relação a sua posição

normal. Um sensor detecta o desvio e induz uma força que recoloca a

balança na posição original. A força restauradora é proporcional à mudança

de peso.

 

Fig. 12.4 Componentes principais de uma termobalança

O recipiente que contém a amostra é colocado em um compartimento de

quartzo ou vidro Pyrex localizado no interior do forno. Um termopar,

colocado imediatamente abaixo do cadinho da amostra, mede a temperatura

do forno. O sinal resultante é registrado no eixo das abcissas do registrador.

Uma termobalança moderna é controlada completamente por computador, o

que permite uma grande variedade de programas de aquecimento,

resfriamento e isotermas. O computador controla também a atmosfera da

amostra. Outra importante característica é o tempo de resfriamento entre os

experimentos, que é de alguns minutos apenas entre 1000°C e a temperatura

do laboratório.

Um exemplo de termobalança moderna é o modelo TGA 2950 da TA

Instruments. A Fig. 12.5 mostra seus principais componentes. O sistema

opera com o princípio da balança nula e usa um transdutor muito sensível

ligado a um sistema de suspensão de correia esticada (taut-band), o que

permite a detecção de mudanças muito pequenas na massa da amostra. Um

servomecanismo óptico regula a quantidade de corrente que flui através da

bobina do transdutor e mantém o braço da balança na posição horizontal de

referência (nula). Uma fonte de luz infravermelha (LED) e um par de

diodos fotossensíveis detectam o movimento do braço. Um anteparo

colocado no topo do braço da balança controla a quantidade de luz que

chega a cada fotossensor. Quando a amostra perde ou ganha peso, a

quantidade de luz que atinge cada diodo não é mais a mesma. O sinal não

balanceado alimenta o programa de controle, que altera a corrente que

movimenta o medidor e leva a balança a voltar à posição nula. A

quantidade de corrente é diretamente proporcional à mudança de massa da

amostra. A velocidade de aquecimento e a temperatura da amostra são

medidas por um termopar adjacente à amostra. Isto permite a medida exata

da temperatura e o ajuste da temperatura do ambiente e da velocidade de

aquecimento selecionados pelo operador.

O recipiente cheio com a amostra é colocado na plataforma adequada. A

orientação do recipiente pode ser ajustada para a manipulação automática.

Ao apertar o botão “START” (iniciar) inicia-se uma série de eventos:

rotação da plataforma da amostra, levantamento da amostra, aquecimento do forno e início do programa de condições experimentais e procedimentos

previamente definido. A remoção da amostra e o resfriamento rápido do

forno também podem ser programados pelo operador. Durante um

experimento, os dados são automaticamente coletados, armazenados na

memória eletrônica e, posteriormente, analisados e colocados em gráfico.

Opcionalmente, pode-se ter a mudança automática da atmosfera com um

comutador de gás e a capacidade de manipulação automática de várias

amostras com um autoamostrador.

 

Fig. 12.5 Termobalança moderna (Cortesia de TA Instruments, Newcastle, Inglaterra)

Fig. 12.6 Interface entre o TGA 2950 e um outro sistema como, por exemplo, um

espectrômetro de massas ou um infravermelho com transformada de Fourier (Cortesia de

TA Instruments, Newcastle, Inglaterra)

 

A Fig. 12.6 mostra um esquema da interface entre o equipamento TGA

2950 e um espectrômetro de infraver-melho com transformadas de Fourier

(FT-IR) ou com um espectrômetro de massas (MS), usados na análise de

desprendimento de gases (EGA). Só é necessária a conexão da porta de

saída do fluxo de gás de purga aos espectrômetros. A interface entre o TGA

2950 e os FT-IR é menos problemática do que com os espectrômetros de

massa em que existe uma diferença apreciável de pressão entre os dois

componentes. O FT-IR é de valor inestimável na identificação de

substâncias tóxicas que podem ser liberadas na decomposição térmica de materiais poliméricos. Além disto, quando as substâncias liberadas têm a