Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 384 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

15.11 Interferências

corresponde à emissão de radiação dos átomos do elemento sob

investigação e às emissões de bandas moleculares. Assim, em vez de uma

intensidade de sinal de absorção IA, o detector pode receber um sinal de

intensidade (I A + S), onde S é a intensidade da radiação emitida.

Como só se deseja medir a raia de ressonância, é importante distingui-la

dos efeitos da emissão da chama. Isto é obtido por modulação da emissão

da fonte com um pulsador mecânico (Fig. 15.9). Na Fig. 15.9(a), o feixe

não está bloqueado e o detector recebe o sinal da lâmpada e o da chama.

Quando o feixe é bloqueado (Fig. 15.9(b)), o sinal que chega ao detector

provém da emissão da chama. A diferença entre os dois sinais é o sinal do

analito (Fig. 15.9(c)). Uma outra forma de modulação é usar um sinal de

corrente alternada apropriada à freqüência particular da raia de ressonância.

O amplificador do detector é, então, fixado nesta freqüência e os sinais

provenientes da chama, essencialmente sinais contínuos, podem ser

removidos.

As unidades de leitura disponíveis incluem instrumentos de medida

direta, registradores gráficos e visores digitais. Os instrumentos de medida

direta foram praticamente superados por outros métodos de apresentação de

dados.

 

15.11 Interferências

 

Diversos fatores podem afetar a emissão de um dado elemento na chama e

interferir na determinação de sua concentração. Estes fatores podem ser

classificados como interferências espectrais e interferências químicas.

As interferências espectrais em AAS provêm principalmente da

superposição das freqüências de uma determinada raia de ressonância e a de

outros elementos. Isto ocorre porque, na prática, a raia de análise tem

“largura de banda” finita. Como, porém, a largura de uma raia de absorção é

de 0,005 nm, aproximadamente, poucos casos de superposição espectral

entre raias emitidas por uma lâmpada de catodo oco e raias de absorção de

átomos de metal na chama são conhecidos. A Tabela 15.3 dá alguns

exemplos típicos de interferências espectrais observadas [7-10]. A maior parte destes dados, todavia, refere-se a raias de ressonância relativamente

secundárias e as únicas interferências sérias nas raias de ressonância

principais ocorrem com o cobre e o mercúrio. O cobre sofre interferência do

európio na concentração aproximada de 150 mg·l–1 e o mercúrio sofre

interferência do cobalto em concentrações maiores do que 200 mg·l –1.

Há maior possibilidade de interferências espectrais na FES do que na

AAS, quando o elemento sob análise e as substâncias interferentes têm raias

de emissão de comprimentos de onda semelhantes. Algumas destas

interferências podem ser eliminadas com uma resolução melhor do

instrumento, por exemplo, com um prisma no lugar de um filtro, porém, às

vezes, pode ser necessário selecionar outra raia em que não ocorra

interferência. Em alguns casos, pode até ser necessário ter de separar o

elemento a ser determinado dos elementos interferentes por troca iônica ou

extração por solventes (Cap. 6).

Fig. 15.9 Modulação com interruptor de feixe

 

Tabela 15.3 Interferências espectrais típicas

 

Comprimento Comprimento

Fonte de de onda de onda

ressonância λ (nm) Analito λ (nm)

 

Alumínio 308,216 Vanádio 308,211

 

Antimônio 231,147 Níquel 231,095

 

Cobre 324,754 Európio 324,755

 

Gálio 403,307 Manganês 403,307

 

Ferro 271,903 Platina 271,904

 

Mercúrio 253,652 Cobalto 253,649

 

Além das interferências de outros elementos existentes na substância-

teste, podem ocorrer outras interferências devidas aos espectros de emissão

de banda produzidos por moléculas ou fragmentos moleculares existentes

nos gases da chama, em particular os espectros de bandas devidos aos

radicais hidroxila e cianogênio que são produzidos em muitas chamas.

Embora na AAS os sinais da chama sejam modulados (Seção 15.10), na

prática deve-se ter cuidado e selecionar uma raia de absorção que não

corresponda aos comprimentos de onda de bandas moleculares porque elas

provocam “ruído” excessivo que reduz a sensibilidade e leva a uma baixa

precisão analítica.