Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 45 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

2.28 Potenciais de eletrodo

Mg2+ 2+ 3+ 8,7 Zn 16,7 La 15,7

 

Ca2+ 2+ 3+ , 10,7 cd 16,6 Lu 20,0

 

Sr 2+ 2+ 3+ 8,6 Hg 21,9 Sc 23,1

 

Ba 2+ 2+ 3+ 7,8 Pb 18,0 Ga 20,5

 

Mn 2+ 3+ 3+ 13,8 Al 16,3 ln 24,9

 

Fe2+ 3+ 4+ 14,3 Fe 25,1 Th 23,2

 

Co 2+ 3+ 16,3 Y 18,2 Ag+ 7,3

 

Ni 2+ 3+ 18,6 Cr 24,0 Li+ 2.8

 

Cu2+ 3+ 18,8 Ce 15,9 Na+ 1,7

 

2.28 Potenciais de eletrodo

 

Quando um metal é imerso em uma solução que contém íons do mesmo

metal, digamos, zinco em uma solução de sulfato de zinco em água, uma

diferença de potencial se estabelece entre o metal e a solução. A diferença

de potencial, E, para uma reação em um eletrodo

 

Mn+ + ne = M

 

é dada pela expressão

em que R é a constante dos gases, T é a temperatura absoluta, F é a

 

constante de Faraday, n é a carga dos íons, a n M+ é a atividade dos íons em solução e é uma constante que depende do metal. A Eq. (2.36) pode ser

simplificada pela introdução dos valores de R e F e conversão dos

logaritmos naturais em logaritmos na base 10 (multiplicando por 2,3026).

Ela fica então

 

Na temperatura de 25°C (T = 298 K)

 

Em análise quantitativa, muitas vezes é suficientemente acurado substituir

a + + M n por c M n , a concentração do íon em moles por litro:

 

Esta é uma das formas da equação de Nernst.

Se a n+ M for igual a um na Eq. (2.38), E é igual a . é o chamado

potencial de eletrodo padrão do metal. E e são expressos em volts. Para

que se possa determinar a diferença de potencial entre um eletrodo e a

solução é necessário utilizar um outro eletrodo e outra solução em que a

diferença de potencial seja conhecida com acurácia. Os dois eletrodos

podem, então, ser combinados para formar uma célula voltaica cuja f.e.m.

pode ser medida diretamente. A f.e.m. da célula é a diferença dos potenciais

de eletrodo quando a corrente é zero. Este arranjo permite o cálculo do

potencial desconhecido. O eletrodo de referência primário é o eletrodo

padrão de hidrogênio ou eletrodo normal (Seção 13.15). Ele é um pedaço

de folha de platina recoberto eletroliticamente com negro de platina e

imerso em uma solução de ácido clorídrico na qual os íons hidrogênio têm atividade igual a um. (Isso corresponde a uma solução 1,18 M de ácido

clorídrico em 25°C.) Gás hidrogênio na pressão de uma atmosfera passa

sobre a folha de platina pelo tubo lateral C (Fig. 2.2) e escapa através dos

pequenos orifícios B no tubo de vidro A. Como se formam bolhas, o nível

do líquido dentro do tubo flutua e parte da folha de platina é exposta

alternadamente à solução e ao hidrogênio. A parte inferior da folha está

permanentemente imersa na solução para evitar a interrupção da corrente

elétrica. A ligação entre a folha de platina e o circuito externo é feita com

mercúrio em D. A função do negro de platina é adsorver grandes

quantidades de hidrogênio atômico, o que facilita a passagem do hidrogênio

da fase gasosa à forma iônica e o processo inverso. Assim, o eletrodo

funciona como se fosse composto inteiramente de hidrogênio, isto é, como

um eletrodo de hidrogênio. Sob condições bem determinadas — o gás

hidrogênio na pressão de uma atmosfera e os íons hidrogênio com atividade

igual a um na solução em contato com o eletrodo — o eletrodo de

hidrogênio tem um potencial definido. Por convenção, o potencial do

eletrodo padrão de hidrogênio é igual a zero em qualquer temperatura. O

potencial de eletrodo padrão do metal de interesse pode ser determinado

ligando-se o eletrodo padrão de hidrogênio a um eletrodo do metal em

questão, posto em contato com uma solução contendo íons do metal, em

que a atividade é igual a um, e medindo-se a f.e.m. da célula assim formada.

A célula é habitualmente escrita como

Fig. 2.2 Eletrodo padrão de hidrogênio

 

Pt, H + n+ | H ( a = 1) M (a = 1) | M

2

 

Neste esquema, a linha vertical simples representa a interface entre o metal

e o eletrólito no qual se mede a diferença de potencial, e as linhas duplas

verticais tracejadas representam uma junção líquida, na qual o potencial não

é considerado ou é eliminado por uma ponte salina.

Quando se faz referência ao potencial de eletrodo de um eletrodo de

zinco, por exemplo, estamos tratando da f.e.m. da célula

 

Pt, H + 2+ | H ( a = 1) Zn | Zn

2

 

ou da f.e.m. da meia-célula Zn2+ | Zn. A reação na célula é

 

H 2+ + + Zn → 2H (a = 1) + Zn

2

 

e a reação na meia-célula pode ser escrita como

 

Zn2+ + 2e = Zn

 

O potencial de eletrodo de Fe3+ 2+ , Fe | Pt é a f.e.m. da célula

Pt, H + 3+ 2+ | H ( a = 1) Fe , Fe | Pt

2

 

ou a f.e.m. da meia-célula Fe 3+ 2+ , Fe | Pt. A reação na célula é

 

H 3+ 2+ + Fe → ( a = 1) + Fe

2

 

e a reação na meia-célula pode ser escrita como

 

Fe 3+ 2+ + e Fe

 

Adota-se como convenção escrever todas as reações que ocorrem nas

meias-células como reduções:

 

Mn+ + ne → M

 

p. ex. Zn2+ + 2e → Zn ( = –0,76 V)

 

Quando a atividade do íon Mn+ é igual a um (o que é aproximadamente

verdadeiro para uma solução 1 M), o potencial de eletrodo E é igual ao

potencial padrão . A Tabela 2.5[5] mostra alguns potenciais padrões de

eletrodo importantes em que se toma como referência o eletrodo padrão de

hidrogênio em 25°C (em solução em água).

É difícil manipular um eletrodo padrão de hidrogênio. Na prática,

costuma-se medir os potenciais de eletrodo na escala do hidrogênio

determinando-se indiretamente a f.e.m. do eletrodo de interesse, com o

auxílio de um eletrodo de referência conveniente cujo potencial em relação

ao eletrodo de hidrogênio é bem conhecido. Os eletrodos de referência

auxiliares geralmente usados são o eletrodo de calomelano e o eletrodo de

prata-cloreto de prata (Seções 13.16 e 13.17).

Quando os metais são colocados na ordem de seus potenciais padrões de

eletrodo, obtém-se a chamada série eletroquímica dos metais. Quanto mais

negativo for o potencial, maior será a tendência do metal em se ionizar. Um

metal normalmente desloca da solução de seus sais qualquer outro metal

que esteja colocado abaixo dele na série eletroquímica. Assim, magnésio,

alumínio, zinco ou ferro deslocam o cobre de soluções de Cu 2+, chumbo desloca cobre, mercúrio ou prata, cobre desloca prata. O potencial padrão

de eletrodo é uma medida quantitativa da capacidade do elemento em

perder elétrons, logo é uma medida da força do elemento como agente

redutor em solução em água: quanto mais negativo for o potencial do

elemento, mais forte será sua ação como redutor.

Observe que os potenciais padrões de eletrodo estão relacionados a uma

situação de equilíbrio entre o eletrodo de metal e a solução. Os potenciais

determinados ou calculados nessas condições são geralmente conhecidos

como “potenciais de eletrodo reversíveis”, e deve-se sempre lembrar que

somente nessas condições a equação de Nernst é rigorosamente válida.

 

Tabela 2.5 Potenciais padrões de eletrodo em 25°C

 

Reação no eletrodo (V)

 

Li+ + e = Li –3,045

 

K+ + e = K –2.925

 

Ba 2+ + 2e = Ba –2,90

 

Sr 2+ + 2e = Sr –2.89

 

Ca2+ + 2e = Ca –2,87

 

Na + + e = Na –2,714

 

Mg2+ + 2e = Mg –2,37

 

Al3+ + 3e = Al –1,66

Mn 2+ + 2e = Mn –1,18

 

Zn2+ + 2e = Zn –0,763

 

Fe2+ + 2e = Fe –0,440

 

Cd2+ + 2e = Cd –0,403

 

Tl+ + e = Tl –0,336

 

Co 2+ + 2e = Co –0,277

 

Ni 2+ + 2e = Ni –0,25

 

Sn2+ + 2e = Sn –0,136

 

Pb2+ + 2e = Pb –0,126

 

2H+ + 2e = H 0,000

2

 

Cu2+ + 2e = Cu +0,337

 

Hg2+ + 2e = Hg +0,789

 

Ag + + e = Ag +0,799

 

Pd2+ + 2e = Pd +0,987