Vogel: Análise Química Quantitativa

J Mendham · Capítulo 391 de 495

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Vogel: Análise Química Quantitativa

15.19 Limites de detecção

líquido no tubo de conexão deve ser maior do que a pressão de operação do

queimador porque, do contrário, as misturas de combustível e gases

oxidantes podem ser enviadas para a atmosfera formando uma mistura

explosiva. O coletor deve ser feito de um material que não se quebre em

pedaços pequenos se ocorrer uma explosão de retorno na câmara de

queima.

 

9. Tenha cuidado quando utilizar solventes orgânicos inflamáveis para

aspiração pela chama. Use um coletor provido de uma tampa com um

pequeno orifício para o capilar da amostra.

 

10. Nunca olhe diretamente para a chama ou para a lâmpada de catodo oco.

Use sempre óculos protetores. Óculos de segurança são, em geral,

adequados contra a luz ultravioleta e protegem os olhos no caso de explosão

do aparelho.

 

15.19 Limites de detecção

 

As Seções 15.19 a 15.22 descrevem algumas aplicações da absorção

atômica, escolhidas para ilustrar os procedimentos gerais envolvidos,

inclusive como superar certas interferências. A Tabela 15.4 lista os

comprimentos de onda das raias de ressonância mais usadas para os

elementos comuns, juntamente com a composição normal dos gases de

chama. Ela dá também as faixas ótimas de concentrações de trabalho. Elas

podem variar de acordo com o instrumento utilizado porém os valores

citados podem ser tomados como típicos.

O termo “sensibilidade” utilizado na espectroscopia de absorção atômica

é definido como a concentração de uma solução dos elementos em água que

absorve 1% da radiação de ressonância incidente. Em outras palavras, é a

concentração que dá uma absorbância igual a 0,0044. Observe que a

sensibilidade depende da reação que ocorre na chama e não é, estritamente,

uma característica de um determinado instrumento. Lembre-se de que a

sensibilidade de uma técnica é um conceito diferente [16]. Ela é definida como sendo o coeficiente linear do gráfico de calibração. Esta definição

tem sido aplicada para estimar o limite de detecção (ver adiante). Como

ambas as definições são encontradas na literatura, a distinção entre elas

deve estar sempre muito clara. Outra grandeza muito utilizada é o limite de

detecção.

 

Distinção entre o limite de detecção e a sensibilidade

 

Existe considerável confusão na definição e no uso do termo “limite de

detecção”. O limite de detecção pode ser definido como a concentração

mais baixa de um analito que pode ser distinguida com confiança razoável

do branco operacional (uma amostra que contém o analito em

concentração zero). O que devia ser entendido como “confiança razoável” e

o que devia ser considerado como “branco” foram as principais causas das

definições divergentes do limite de detecção. A definição da União

Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) [17] é expressa em

termos da concentração CL ou da quantidade qL. Esta definição está

relacionada à menor medida de resposta Y L (no nosso caso, a absorbância) que pode ser detectada com certeza razoável em um procedimento analítico,

em que

 

e

 

B = média das medidas do branco

S B = desvio padrão das medidas do branco k = constante numérica

 

Um valor de k igual a 3 foi fortemente sugerido pela IUPAC. Em um artigo

detalhado, o Comitê de Métodos Analíticos da Sociedade Real de Química

(Inglaterra) procurou esclarecer a definição da IUPAC [19]. O artigo dá

uma explicação completa de todos os aspectos conceituais do limite de

detecção.

A estimativa do limite de detecção é melhor compreendida considerando

um gráfico de calibração. Quando se usa o método da regressão linear, é

possível obter a interseção no eixo y e a inclinação da melhor reta (Seção

4.17). A interseção calculada pode ser usada como estimativa de B e o Sy/x

estatístico é aceitável como medida de S B (Seção 4.18). Assim, da Eq. 15.1

com k = 3, o valor de YL pode ser calculado. O limite de detecção, CL, pode ser avaliado a partir de

 

Tabela 15.4 Dados de AAS de chama para os elementos comuns

 

Comprimento de

onda Faixa de

da principal raia de trabalho

Elemento –1 ressonância λ (nm) (μ·ml) Chama a

 

Ag 328,1 AA(L) 1–51

 

Al 309,3 NA(R) 40–200

 

Asb 193,7 AH(R) 50–200

 

B 249,8 NA(R) 400–600

 

Ba 553,6 NA(R) 10–40

 

Be 234,9 NA(R) 1–5

 

Bi 223,1 AA(L) 10–40

Ca 422,7 NA(R) 1–4

 

Cd 228,8 AA(L) 0,5-2

 

Co 240,7 AA(L) 3–12

 

Cr 357,9 AA(R) 2–8

 

Cs 852,1 AP(L) 5–20

 

Cu 324,7 AA(L) 2–8

 

Fe 248,3 AA(L) 2,5-10

 

Ga 294,4 AA(L) 50–200

 

Geb 265,2 NA(R) 70–280

 

Hgc 253,7 AA(L) 100–400

 

In 303,9 AA(L) 15–60

 

Ir 208,9 AA(R) 40–160

 

K 766,5 AP(L) 0,5-2

 

Li 670,8 AP(L) 1–4

Mg 285,2 AA(L) 0,1-0,4

 

Mn 279,5 aa(L) 1–4

 

313,3 NA(R) 15–60

Mo

 

Na 589,0 AP(L) 0,15-0,60

 

232,0 AA(L) 3–12

Ni

 

Os 290,9 NA(R) 50–200

 

217,0 AA(L) 5–20

Pb

 

Pd 244,8 AA(L) 4–16

 

265,9 AA(L) 50–200

Pt

 

Rb 780,0 AP(L) 2–10

 

343,5 AA(L) 5–25

Rh

 

Ru 349,9 AA(L) 30–120

 

b 217,6 AA(L) 10–40

Sb

 

Sc 391,2 NA(R) 15–60

 

196,0 AH(R) 20–90

Seb

 

Si 251,6 NA(R) 70–280

 

224,6 d AH(R) 15–60

Sn

 

Sr 460,7 NA(L) 2–10

 

214,3 AA(L) 10–40

Te

 

Ti 364,3 NA(R) 60–240

 

276,8 AA(L) 10–50

TI

 

V 318,5 NA(R) 40–120

 

255,1 NA(R) 250–1000

W

 

Y 410,2 NA(R) 200–800

 

213,9 AA(L) 0,4-1,6

Zn

 

a L = pobre em combustível; R = rico em combustível; AA = ar-acetileno; AP = ar-propano;

NA = óxido nitroso-acetileno; AH = ar-hidrogênio.

b O método da geração de hidreto (Seção 15.7) é muito mais sensível para a detecção dos

elementos listados.

cA célula de mercúrio sem chama (Seção 15.7) é muito mais sensível para a determinação

de mercúrio.

d Se existir muita interferência deve-se escolher a chama NA.

 

onde S, a sensibilidade da técnica, é definida como sendo o coeficiente

linear da raia de calibração. O exemplo a seguir mostra como o limite de detecção pode ser estimado.

 

Exemplo 15.1

 

Foram medidas soluções de Ca2+ em água, cada uma delas contendo 1000

mg·l –1 de cloreto de lantânio como agente de liberação, por espectroscopia

de absorção atômica de chama. Obtiveram-se os valores de absorbância a

seguir.

Estime o limite de detecção para Ca2+ neste procedimento analítico.

 

Absorbância 0,015 0,081 0,152 0,230 0,306

 

Concentração 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0

de Ca2+

(mg·l–1)

 

Usando os dados e o método da Seção 4.17, chega-se à equação da reta

 

y = 0,073x + 0,11

 

A interseção, 0,11, é uma estimativa de B, a média das medidas do branco.

Sy/x = 0,0077 é obtido pelo método da Seção 4.18 e é uma medida de SB. O coeficiente angular da curva é 0,073. Da Eq. 15.2 obtém-se o limite de

detecção

 

Estritamente, o limite de detecção de um sistema analítico deve ser

estimado levando-se em conta os vários fatores que podem influenciar a resposta do método. Muitos livros-texto definem os limites de detecção em